CPI DA SAÚDE
Entre promessas e impasses, CPI da Saúde da ALMT precisa provar que não será apenas mais uma investigação sem resultados
POLÍTICA MT
Criada sob forte expectativa de esclarecer possíveis irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) enfrenta um momento decisivo. Depois de semanas de trabalhos, o que deveria ser uma investigação marcada por rapidez e profundidade passou a conviver com sucessivos obstáculos que colocam em dúvida sua capacidade de entregar resultados efetivos.
Desde o início, a comissão foi apresentada como um instrumento de fiscalização rigorosa dos recursos públicos aplicados na saúde. No entanto, o avanço das investigações tem sido mais lento do que o esperado, alimentando críticas de que a CPI ainda não conseguiu produzir respostas compatíveis com a gravidade dos fatos investigados.
O episódio mais recente reforçou essa percepção. Uma decisão judicial dispensou investigados de comparecer para prestar depoimento, frustrando uma etapa considerada estratégica pelos parlamentares e ampliando os desafios enfrentados pela comissão.
É verdade que toda pessoa investigada possui direitos assegurados pela Constituição e que decisões judiciais devem ser respeitadas. Mas também é legítimo questionar até que ponto esses entraves comprometem a principal missão de uma CPI: investigar, esclarecer fatos e prestar contas à sociedade.
As oitivas representam uma das ferramentas mais importantes de qualquer comissão parlamentar de inquérito. Quando deixam de acontecer, a reconstrução dos acontecimentos se torna mais difícil e a população passa a acompanhar uma investigação que avança em ritmo inferior ao esperado.
Enquanto isso, o tempo passa. A cada reunião adiada, a cada depoimento cancelado e a cada novo recurso judicial, cresce a expectativa de que a CPI demonstre capacidade de superar os obstáculos e apresente resultados concretos, e não apenas novas justificativas para a demora.
Os contratos analisados envolvem milhões de reais em recursos públicos destinados à saúde, muitos deles firmados durante a pandemia da Covid-19, período em que contratações emergenciais exigiam rapidez, mas também fiscalização ainda mais rigorosa diante do volume de dinheiro empregado.
A complexidade da documentação e o respeito ao devido processo legal são fatores que naturalmente exigem cautela. Ainda assim, esses elementos não eliminam a responsabilidade da comissão de conduzir uma investigação eficiente, transparente e capaz de responder aos questionamentos da sociedade.
Outro aspecto que desperta atenção é a distância entre a expectativa criada quando a CPI foi instalada e os resultados apresentados até agora. A promessa era de uma investigação ampla e rigorosa. Até o momento, porém, boa parte do debate continua concentrada em impasses processuais, enquanto as conclusões seguem indefinidas.
O presidente da CPI, deputado Wilson Santos, afirma que continuará recorrendo das decisões que possam limitar a atuação da comissão e defende a continuidade dos trabalhos. A postura demonstra disposição para manter a investigação em andamento, mas, ao final, a sociedade cobrará menos discursos e mais resultados.
A Assembleia Legislativa exerce uma das mais importantes funções de fiscalização do Poder Executivo. Quando uma CPI encontra dificuldades para avançar, inevitavelmente surgem dúvidas sobre sua capacidade de cumprir plenamente esse papel institucional.
Mais do que produzir milhares de páginas de documentos, a população espera que uma comissão parlamentar seja capaz de identificar responsabilidades, recomendar providências e contribuir para evitar que eventuais irregularidades se repitam. Sem isso, o trabalho perde parte de sua finalidade prática.
A principal pergunta que começa a ganhar força é inevitável: esta CPI conseguirá romper o histórico de investigações parlamentares que terminaram em extensos relatórios sem consequências concretas? Ou acabará seguindo o caminho de outras comissões que despertaram grande expectativa, mas acabaram esquecidas nos arquivos do Poder Legislativo?
Esse questionamento não representa uma conclusão antecipada sobre o desfecho da investigação. Trata-se de uma cobrança legítima diante da importância dos fatos apurados e da responsabilidade da Assembleia perante a população mato-grossense.
No fim das contas, o maior julgamento da CPI da Saúde não será feito pelos discursos dos parlamentares, mas pelos resultados que conseguir entregar. Se conseguir esclarecer os fatos, apontar responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle da administração pública, terá cumprido sua missão. Caso contrário, permanecerá a sensação de que mais uma investigação mobilizou expectativas, consumiu tempo e recursos públicos e terminou apenas como um relatório destinado às prateleiras dos arquivos, sem produzir as mudanças que a sociedade esperava.
POLÍTICA MT
ALMT recebe capacitação sobre atendimento a mulheres em situação de violência
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) recebe, nesta quarta-feira (26), o evento “Enxergar para Proteger – Qualificação do atendimento às mulheres em situação de violência”, que integra as ações do Agosto Lilás e marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. A programação será realizada das 8h às 18h, no Auditório Milton Figueiredo, e reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir estratégias de acolhimento e proteção às mulheres, além de medidas para prevenir a revitimização.
A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (PEM/ALMT) é parceira da iniciativa, realizada em conjunto com o Instituto Brasileiro de Direito de Família em Mato Grosso (IBDFAM-MT), por meio das Comissões de Perspectiva de Gênero e da Mulher e suas Vulnerabilidades, e com a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Cuiabá.
A proposta é qualificar profissionais que atuam direta ou indiretamente no atendimento às mulheres, abordando desde a perspectiva de gênero e a identificação dos diferentes tipos de violência até os instrumentos de proteção disponíveis e o funcionamento da rede de atendimento.
Entre os destaques da programação estão os debates sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, a perspectiva de gênero no atendimento inicial, os diferentes tipos de violência contra a mulher, a atuação policial, o uso do Botão do Pânico e do aplicativo de proteção, além de orientações para uma saída segura de casa e a preservação de documentos relevantes.
O evento também contará com uma abordagem sobre o papel da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica de Cuiabá, reforçando a importância da atuação integrada entre as instituições.
Programação
8h – Credenciamento e acolhimento
Recepção dos participantes.
8h30 – Abertura institucional
Composição da mesa e boas-vindas.
9h – Perspectiva de gênero na prática: caminhos para um atendimento inicial qualificado, com a advogada e diretora-executiva do IBDFAM-MT, Dra. Camila Zago, e a juíza de Direito Dra. Ana Graziela Vaz.
10h – 20 anos da Lei Maria da Penha
Com o juiz de Direito e vice-presidente do IBDFAM-MT, Dr. Jamilson Haddad, e a advogada e presidente do IBDFAM-MT, Dra. Emanouelly Costa Nadaf.
12h às 13h30 – Almoço
14h – Tipos de violência contra a mulher e violência de gênero no atendimento policial
Com a advogada e professora Dra. Ana Flávia Uchôa e a procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Dra. Francielle Brustolin.
15h30 – Botão do Pânico e aplicativo: diferenças e formas de utilização
O painel abordará instrumentos disponíveis para o atendimento e a proteção das vítimas, além de orientações práticas para a saída segura de casa e a preservação de documentos relevantes. Participação da delegada de Polícia Dra. Judá Marcondes.
16h – O papel da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica de Cuiabá
Com a procuradora do Estado e presidente da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher, Dra. Gláucia Amaral, e a vice-coordenadora da Rede de Enfrentamento, Dra. Claire Vogel.
A programação é aberta à participação de profissionais e interessados na temática.
A imprensa está convidada a acompanhar o evento e realizar a cobertura das atividades, que terão como foco a qualificação do atendimento e o fortalecimento das estratégias de proteção às mulheres em situação de violência.
Serviço
Evento: Enxergar para Proteger – Qualificação do atendimento às mulheres em situação de violência
Data: 26 de agosto de 2026
Horário: das 8h às 18h
Local: Auditório Milton Figueiredo – Assembleia Legislativa de Mato Grosso
Fonte: ALMT – MT
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