MARIA AUGUSTA RIBEIRO
Convergência é o novo marketing
ARTIGOS
A convergência está transformando o marketing de forma profunda. Não se trata mais de escolher entre online ou offline. O futuro é integrar os dois mundos para criar uma experiência contínua e fluida para o consumidor.
Convergência no marketing significa a união completa de todos os canais de contato com o cliente digital, físico, social e presencial. É quando dados, mensagens e experiências fluem sem interrupção entre um ambiente e outro.
Essa convergência está mudando radicalmente a forma como as marcas se relacionam com o consumidor. Ela elimina as barreiras entre o mundo virtual e o real. Antes, o cliente precisava “mudar de canal” para continuar sua jornada de compra.
Hoje, ele pode começar pesquisando no celular, experimentar na loja física e finalizar a compra no aplicativo, tudo de forma natural e sem atritos. Isso gera maior eficiência para as empresas, dados mais ricos e, principalmente, experiências mais relevantes e personalizadas. O marketing deixa de ser fragmentado e passa a ser uma conversa única e contínua com o cliente em todos os momentos.
Dentro da convergência, ganha destaque o cibridismo, conceito cunhado pela pesquisadora brasileira Martha Gabriel. O cibridismo representa a hibridização entre o mundo online (ciber) e o offline. Não é apenas usar os dois canais ao mesmo tempo, mas fazer com que eles trabalhem juntos para entregar experiências de consumo mais personalizadas e integradas.
No cibridismo, o físico e o digital colaboram de verdade. A marca usa o comportamento online para enriquecer a experiência na loja física e vice-versa. O cliente recebe recomendações personalizadas no app com base no que viu ou experimentou na loja. Ou ganha ofertas digitais exclusivas depois de uma visita presencial. O resultado é uma jornada que parece feita sob medida.
Segundo relatório WGSN “El consumidor del futuro 2027” aponta que três emoções vão guiar as decisões: alegria estratégica, desejo de evasão e otimismo suspicaz. Dados do estudo mostram que 54% dos consumidores globais querem sentir alegria ao comprar online, enquanto 68% da Geração Z preferem tocar e experimentar produtos antes de decidir. Por isso, a convergência e o cibridismo serão essenciais: eles permitem que o consumidor viva uma jornada híbrida, onde pesquisa online e experiência física acontecem de forma integrada e personalizada.
Marcas como Nike, Starbucks e Sephora são referências mundiais nesse modelo. No Brasil, Magazine Luiza e Natura avançam rapidamente. Elas integram e-commerce, lojas físicas, redes sociais e aplicativos para oferecer uma experiência sem costuras.
No fim das contas, convergência não é só uma estratégia inteligente que muitas empresas já fazem há algum tempo. É quase uma obrigação para quem quer sobreviver nos próximos anos. O consumidor já não aceita mais ser tratado como se vivesse em mundos separados. Ele quer fluidez, reconhecimento e experiência que faça sentido. Quem entender isso e colocar o cibridismo em prática vai sair na frente. Quem insistir no velho modelo de canais isolados vai ficar falando sozinho.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia.
ARTIGOS
Trabalho está deixando muita gente doente — e a lei mudou para valer com isso
Desde o fim de maio de 2026, passou a valer uma mudança que pouca gente notou, mas que pode mexer com a rotina de empresas e trabalhadores em todo o país: as empresas agora podem ser fiscalizadas, e multadas, se não cuidarem também da saúde mental de quem trabalha.
A novidade está na NR-1, a norma que organiza as regras de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Até pouco tempo, “risco no trabalho” era associado a máquina sem proteção, produto químico, ruído, calor. Agora, a forma como o trabalho é organizado também entra nessa conta. É o que especialistas chamam de riscos psicossociais. Não é exagero dizer que essa é uma das mudanças mais relevantes na área de segurança do trabalho dos últimos anos, ainda que tenha passado quase em silêncio.
Na prática, cobrança de metas impossíveis, jornadas sem fim e sem pausa de verdade, pressão constante e clima pesado no ambiente de trabalho deixam de ser vistos como apenas “estresse do dia a dia” e passam a ser tratados como risco, algo que a empresa precisa identificar e tentar evitar, do mesmo jeito que já fazia com riscos físicos.
Para as empresas, isso significa rever o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e incluir esses fatores de forma real, olhando para a própria rotina, o setor de atuação e o perfil das equipes. Cada empresa precisa entender onde, de fato, estão os pontos de pressão dentro da sua operação.
Como advogada trabalhista, tenho visto cada vez mais casos de pessoas que adoeceram por causa do trabalho — ansiedade, depressão, esgotamento, o tal burnout. Até pouco tempo, esses casos costumavam ser tratados como problema pessoal de quem não aguentou a pressão. Com essa mudança na NR-1, existe agora uma base mais clara para discutir, inclusive na Justiça, se a empresa fez ou não a sua parte para evitar esse adoecimento.
No fim das contas, a mudança tende a ser boa para os dois lados: empresas que se organizam evitam multas, processos e perda de bons profissionais; trabalhadores ganham mais respaldo para buscar seus direitos quando o ambiente de trabalho passa do limite do razoável. É um tema que, cedo ou tarde, vai aparecer na rotina de qualquer empresa — e quanto antes for tratado com seriedade, menores os riscos para todos os envolvidos.
*Giselle Saggin – Advogada trabalhista (OAB/MT 14.129-A), com escritório em Cuiabá (MT) – Instagram: @gisellesaggin
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