Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

APREENSÃO PODE SER A MAIOR

Escola Pablo Escobar: método da cocaína líquida encontrado em madeira apreendida em MT já era usado por traficantes nos anos 70

Publicados

POLÍCIA

Uma técnica de ocultação de drogas que ganhou notoriedade durante o auge dos grandes cartéis sul-americanos voltou ao centro das atenções após a apreensão de uma carga de cocaína líquida escondida em madeira, em uma operação internacional realizada no último domingo (21). Segundo a Receita Federal, a ação pode resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no Brasil e na segunda maior do mundo.

A investigação identificou um esquema de tráfico que utilizava cargas de madeira para transportar a droga dissolvida em solventes, dificultando a fiscalização. A operação contou com a participação da Receita Federal, Polícia Federal e Exército Brasileiro, além do apoio de autoridades dos Estados Unidos e da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia.

Ao todo, oito caminhões foram interceptados, sendo quatro em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT). Testes preliminares confirmaram a presença de cocaína na madeira, mas a quantidade exata ainda depende de análises periciais. A estimativa dos investigadores é de que entre 10% e 20% do peso da carga corresponda ao entorpecente, o que pode representar entre 20 e 50 toneladas da droga.

De acordo com o professor de química Marciano Simões de Souza, a chamada cocaína líquida não é uma novidade para o narcotráfico. O método consiste em dissolver a droga em substâncias específicas e incorporá-la a materiais de transporte para dificultar sua identificação.

“Isso não é exatamente novo. A cocaína pode ser dissolvida em diferentes solventes, como etanol, óleos e até em alguns líquidos alimentares, como já houve registros em leite e outras substâncias”, explicou.

Segundo ele, o sucesso da técnica depende da escolha do solvente, que precisa permitir o transporte de grandes quantidades da droga em um volume reduzido. No caso da madeira, o especialista avalia que podem ter sido adotados processos para ampliar a capacidade de absorção do material.

Leia Também:  Facção simulava empresa de empréstimos para lavar dinheiro em MT, diz polícia

“Se o solvente não for adequado, eles não conseguem carregar uma quantidade significativa da droga. […] É possível que haja algum tipo de tratamento, como secagem intensa ou processos mecânicos, para aumentar essa porosidade”, afirmou.

Marciano explicou ainda que o cloridrato de cocaína possui características químicas que permitem sua dissolução em água, etanol e outros solventes polares. A partir dessa propriedade, a substância pode ser incorporada a diferentes materiais e posteriormente recuperada.

“No caso da madeira, é provável que usassem água para dissolver a cocaína e depois uma espécie de lavagem para retirar o máximo possível da droga de dentro da madeira”, disse.

Após chegar ao destino, a substância pode ser recuperada por meio da evaporação do solvente. “Após o transporte, eles evaporam o solvente, e o que sobra é o cloridrato de cocaína praticamente puro”, acrescentou.

Para os especialistas, a sofisticação da técnica torna a identificação mais difícil durante inspeções de rotina. Segundo Marciano, cargas desse tipo costumam ser descobertas após monitoramento prévio ou denúncias.

“Esses solventes podem ser praticamente inodoros, o que dificulta ainda mais a identificação durante a fiscalização de rotina. Normalmente, esse tipo de carga só é identificado quando já há monitoramento ou denúncia”, destacou.

O professor de história Carlos Roberto afirmou que o método tem relação com práticas utilizadas há décadas pelo narcotráfico internacional. Segundo ele, embora não tenha criado a técnica, Pablo Escobar ajudou a expandir e aperfeiçoar esse tipo de estratégia durante o período em que comandava o Cartel de Medellín.

Leia Também:  Delegado sofre acidente de carro em rodovia estadual e é transferido para Cuiabá

“O Escobar não inventa isso, mas potencializa. No caso da madeira, por exemplo, ela ajudava a dificultar a detecção por cães farejadores, o que tornava o método mais eficiente na época”, explicou.

Para o historiador, o caso demonstra como organizações criminosas continuam adaptando métodos antigos às novas rotas de tráfico.

“O que muda não é a estratégia básica, mas o nível de sofisticação e a capacidade de cooperação entre os países no combate a esse tipo de crime”, concluiu.

A investigação teve início a partir do compartilhamento de informações entre Brasil, Bolívia e Estados Unidos. O intercâmbio de dados permitiu o monitoramento dos caminhões e levou à apreensão das cargas. A atuação conjunta ocorreu em uma Área de Controle Integrado (ACI), modelo que permite ações coordenadas de fiscalização na fronteira.

As cargas eram compostas por madeira das espécies aroeira e cedro, normalmente utilizadas na fabricação de móveis. Apesar de a documentação ter sido registrada regularmente no Portal do Comércio Exterior, a Polícia Federal apura se as transportadoras tinham participação no esquema ou se houve adulteração da carga após o carregamento.

As autoridades também investigam a ligação entre a apreensão realizada no Brasil e uma operação ocorrida no Chile no último dia 6, quando foram apreendidas 100 toneladas de cocaína líquida misturada à madeira. Informações compartilhadas pelos Estados Unidos indicam que os dois carregamentos podem ter origem no mesmo centro de produção localizado na Bolívia.

Propaganda

POLÍCIA

Pai vira réu por feminicídio após morte de filha de 12 anos em Várzea Grande

Publicados

em

A Justiça tornou réu Claudinei Silva, de 42 anos, acusado de matar a própria filha, Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Ele responderá por feminicídio, com agravantes relacionadas a motivo fútil, meio cruel e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

Claudinei está preso preventivamente desde 7 de junho, data em que a menina morreu. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público e posteriormente recebida pela Justiça. O processo tramita em segredo de Justiça.

Olga foi encontrada morta na residência do pai, no bairro Serra Dourada, após passar a primeira noite no local. A informação foi confirmada pela advogada que representa a família, Dayanne Rodrigues.

VERSÕES SOBRE O CRIME

Durante as investigações, Claudinei teria relatado à polícia que encontrou supostas mensagens entre a filha e um garoto e que isso teria desencadeado as agressões.

A versão, porém, é contestada pela mãe da menina. Segundo a família, Olga não possuía celular e também não utilizava redes sociais.

Ainda conforme a defesa da família, a mãe de Olga havia se separado de Claudinei após episódios de violência doméstica. Mesmo assim, a menina mantinha o desejo de conviver com o pai, motivo pelo qual eram permitidas algumas visitas.

Leia Também:  Delegacia do Adolescente investiga briga generalizada entre alunas de escola em VG; menores serão ouvidas

Até então, entretanto, Olga não costumava permanecer durante a noite na residência do pai.

A defesa de Claudinei ainda não foi localizada para comentar a decisão judicial.

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA