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IRAJÁ LACERDA

O esvaziamento do Fies e o preço que o Brasil paga

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ARTIGOS

O Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, foi durante anos uma das principais portas de entrada na universidade para jovens e adultos que dependiam do financiamento estudantil para conquistar um diploma. Hoje, o programa apresenta números que acendem um alerta sobre o futuro da qualificação profissional no país.

A retomada da renegociação das dívidas do Fies reacendeu o debate sobre os desafios do financiamento estudantil no Brasil. A medida é importante para aliviar a situação de estudantes endividados, mas também reforça a necessidade de aprimorar o programa, ampliar seu alcance social e garantir que o financiamento chegue de forma efetiva a quem mais precisa.

Para compreendermos a dimensão do desafio, é preciso olhar para os dados. Segundo diagnóstico publicado pelo governo federal, com informações do INEP, SisFies e Caixa, o Fies chegou a 733 mil novos contratos em 2014. Já em 2023, o Ministério da Educação divulgou que pouco mais de 50 mil pessoas foram beneficiadas em todo o Brasil. Na comparação entre o auge de 2014 e o número de beneficiados em 2023, os dados indicam uma redução superior a 90% no alcance do programa.

Esse recuo atinge diretamente um público socialmente sensível, formado por jovens e trabalhadores que dependem do financiamento estudantil para acessar o ensino superior. Em 2023, por exemplo, as mulheres representaram 68,23% dos beneficiados pelo Fies no país. Em Mato Grosso, das 727 pessoas contempladas naquele ano, 68,2% também eram mulheres. Por trás de cada número existe uma realidade: uma mãe que volta a estudar, uma jovem do interior que sonha com o diploma, um trabalhador que busca qualificação para construir uma vida melhor para sua família.

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Em Mato Grosso, esse debate exige atenção redobrada. Somos um estado que cresce, produz e exporta, mas que ainda convive com contrastes sociais profundos. A riqueza gerada no campo precisa se traduzir em oportunidade, educação e dignidade para as pessoas. E para quem nasce longe dos grandes centros, o financiamento estudantil muitas vezes é o caminho mais viável para acessar uma formação superior.

É claro que o Fies precisa de aprimoramentos. Era necessário ter mais controle para enfrentar a inadimplência, garantir responsabilidade com os recursos públicos e aperfeiçoar os critérios de acesso. Muitos estudantes saíram da universidade com uma dívida pesada, difícil de pagar e, em alguns casos, incompatível com a renda que encontraram no mercado de trabalho. Por isso, defender o fortalecimento do programa não é defender o Fies como ele era, mas um Fies mais justo, transparente, sustentável e voltado para quem realmente precisa.

Avanços recentes, como o Fies Social, são importantes porque priorizam estudantes em situação de maior vulnerabilidade. Mas corrigir falhas de gestão e criar mecanismos de inclusão não pode significar aceitar um programa menor do que o Brasil precisa. O equilíbrio necessário é outro: fortalecer a governança e, ao mesmo tempo, ampliar o alcance social do financiamento.

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O Mato Grosso do futuro precisa de mão de obra cada vez mais qualificada. O crescimento do agro, da indústria, da tecnologia e dos serviços depende de gente preparada. Nossas universidades públicas, UFMT e UNEMAT, cumprem papel fundamental, mas não absorvem sozinhas a demanda de um estado em expansão. O ensino público e o privado precisam ser vistos como partes complementares de uma mesma missão.

Fortalecer o Fies é transformar crescimento econômico em justiça social. Quando um jovem conquista o ensino superior, ele não está apenas preenchendo uma vaga; está reescrevendo o destino de toda a sua família. O Brasil e Mato Grosso só crescerão de verdade quando a oportunidade for um direito real, capaz de gerar desenvolvimento e dar às pessoas a chance de mudar de vida pela educação.

*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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ARTIGOS

Filho de VG, celebro os 159 anos da nossa cidade com a bandeira dos idosos erguida

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Nesta sexta-feira, 15 de maio, Várzea Grande completa 159 anos de fundação. Entre desfiles cívicos, shows e entregas institucionais, a data me convida a uma reflexão sobre o que foi construído ao longo dessas mais de um século e meio de história, e sobre o que ainda precisamos fazer para que essa cidade cuide dos seus. Sou filho de VG e, como presidente da Câmara Municipal, celebro o aniversário da terra que me formou reafirmando uma das marcas mais consistentes do meu mandato, a defesa intransigente dos direitos da pessoa idosa.

A proteção à população idosa se tornou causa central da minha trajetória parlamentar. Ao longo dos últimos anos, acumulei iniciativas legislativas, audiências públicas e articulações institucionais que colocaram os idosos no centro do debate político municipal.

Entre os marcos dessa trajetória está a audiência pública histórica que realizamos na Câmara, reunindo mais de 400 idosos, autoridades, instituições e representantes da rede de proteção. O encontro abriu espaço para a escuta ativa da população idosa e para o debate sobre políticas públicas essenciais, como saúde, assistência social, habitação e inclusão.

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No campo legislativo, minhas propostas avançaram em diferentes frentes. O Projeto de Lei nº 70/2026, de minha autoria, autoriza a criação do Programa Municipal Centro-Dia do Idoso, destinado ao atendimento diurno de pessoas idosas no município. A iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações que inclui o Programa 60+, com incentivos à contratação de idosos, e o Programa Remédio em Casa, com entrega domiciliar de medicamentos.

Minha atuação também passa pela articulação com o sistema de Justiça. Participei da reunião no Fórum de Várzea Grande onde foi discutida a criação da RENADI/VG, idealizada com o juiz Dr. Hugo José Freitas da Silva e o promotor Dr. Carlos, entre outras entidades. Em março de 2026, estive presente em nova reunião da RENADI, onde deliberamos ações como a inclusão da Defensoria Pública na rede e o avanço em projetos estruturantes, como a criação de Instituições de Longa Permanência para Idosos e a reforma do Lar São Vicente de Paula.

Não hesitei em enfrentar divergências políticas quando o assunto envolve os idosos. Cobrei maior efetividade do Poder Executivo e do Conselho Municipal do Idoso, e manifestei preocupação com o veto da prefeita à destinação de emenda orçamentária de R$ 1 milhão que destinei a ações de cuidado e proteção.

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Na frente federal, conquistei R$ 2,5 milhões via senador Jayme Campos e R$ 1 milhão na LOA para atendimento a idosos, além de articular a construção de um novo lar no bairro Chapéu do Sol em parceria com o deputado Botelho e o desembargador Orlando Perri.

Ao celebrar os 159 anos de VG, reafirmo, cuidar dos mais velhos é também honrar a história da nossa cidade. A Câmara Municipal seguirá comprometida com políticas públicas que garantam respeito, cuidado e qualidade de vida à pessoa idosa.

Parabéns, Várzea Grande, nossa terra querida!

Wanderley Cerqueira vereador e presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande

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