Aluisio Metelo Junior
Segurança Contra Incêndios Florestais no Setor Rural: Uma Urgência Nacional e Legal
ARTIGOS
Muito se ouve falar em Segurança Contra Incêndios (SCI) em edificações urbanas, indústrias e estabelecimentos comerciais. Mas, já se perguntou sobre a Segurança Contra Incêndios Florestais (SCIF)? Em um país de dimensões continentais como o Brasil, com vasta área rural e biomas de valor inestimável, a proteção contra o fogo descontrolado não é apenas uma preocupação ambiental, mas uma pauta que exige atenção, ação imediata e, agora, conformidade legal.
Os últimos anos têm sido marcados por uma crescente e alarmante incidência de grandes incêndios florestais. Eventos como os que devastaram o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado não são apenas tragédias ambientais de proporções globais; eles representam perdas econômicas incalculáveis para o agronegócio, ameaçam a segurança alimentar, comprometem a saúde pública e destroem a biodiversidade. No setor rural, o fogo descontrolado consome lavouras, pastagens, infraestruturas e, tragicamente, vidas. A resiliência das comunidades rurais é constantemente testada, e a recuperação, quando possível, é longa, onerosa e, muitas vezes, incompleta.
Diante desse cenário, a promulgação da Lei nº 14.944, de 31 de julho de 2024, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), representa um avanço crucial e uma mudança de paradigma. Esta legislação não apenas disciplina o uso do fogo, mas estabelece diretrizes claras e, mais importante, obrigatoriedades legais para a prevenção e o combate aos incêndios florestais, com foco especial e direto nas propriedades rurais.
Atenção, produtor rural! Conforme o Art. 45, § 1º da Lei 14.944/2024, o responsável pelo imóvel rural implementará ações de prevenção e de combate aos incêndios florestais em sua propriedade de acordo com as normas estabelecidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo e pelos órgãos competentes do Sisnama. Isso significa que a responsabilidade não é mais apenas do poder público, mas também do proprietário rural, que deve adotar medidas ativas e comprováveis para evitar e combater o fogo. A inação pode acarretar em sérias consequências legais e financeiras.
A atuação de órgãos como o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), mencionado na Lei 14.944/2024, é fundamental para a padronização e a eficácia das ações em nível nacional. O COMIF, em conjunto com o CONAGIF/LIGABOM, tem a missão de estabelecer as diretrizes e normas que guiarão a implementação da PNMIF em todo o território nacional. A Resolução COMIF Nº 2, de 21 de março de 2025, por exemplo, já proíbe o uso do fogo em resíduos sólidos em área rural, pastagens, áreas agrícolas e de pousio florestal sem autorização prévia e formal do órgão ambiental competente. Essa resolução reforça a necessidade de um planejamento rigoroso e da busca por alternativas ao uso indiscriminado do fogo, que historicamente tem sido um dos maiores causadores de incêndios.
Minha experiência de décadas me permite afirmar: a existência de normas e a obrigatoriedade de sua adoção são passos cruciais para a mudança de paradigma. Não basta apenas combater o incêndio quando ele já está instalado. Precisamos de uma cultura de prevenção, de um manejo integrado do fogo que envolva todos os atores, desde o pequeno produtor até as grandes corporações do agronegócio. A prevenção é sempre mais eficaz e, inegavelmente, mais econômica do que a remediação. Estudos internacionais de alto rigor científico, como o relatório “Natural Hazard Mitigation Saves” do National Institute of Building Sciences (NIBS) dos Estados Unidos, demonstram que cada dólar investido em medidas de mitigação e prevenção contra desastres, incluindo incêndios florestais, pode gerar uma economia de até US$ 13 em custos futuros de resposta e recuperação. É, portanto, um investimento direto na proteção do seu patrimônio, na continuidade da sua produção e na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Para o produtor rural, a adoção de medidas preventivas é agora uma obrigatoriedade legal inadiável e uma necessidade estratégica para a longevidade do negócio. Entre as ações que devem ser implementadas, destaco:
Criação e Manutenção de Aceiros: Faixas de terra limpas de vegetação que atuam como barreiras físicas, impedindo a propagação do fogo.
Queimas Controladas e Prescritas: Realizadas com planejamento rigoroso, monitoramento constante e, crucialmente, autorização prévia dos órgãos competentes, para fins agrossilvipastoris ou de manejo específico.
Manejo da Vegetação: Limpeza e desbaste de áreas próximas a edificações, cercas, estradas e áreas de alto risco, reduzindo a carga de combustível.
Capacitação de Equipes: Treinamento de brigadas de incêndio rurais, com foco em técnicas de combate inicial e uso de equipamentos adequados.
Monitoramento Ativo: Utilização de tecnologias para detecção precoce de focos de incêndio, como torres de observação, drones e sistemas de alerta.
Elaboração e Implementação do Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF): Este é o documento central e obrigatório que integra todas as ações de prevenção, detecção e combate. O PPCIF deve ser detalhado, adaptado à realidade de cada propriedade e rigorosamente alinhado às normas estabelecidas pelo COMIF, servindo como um guia prático e estratégico para a gestão proativa do risco de incêndios. Sua elaboração, implementação e constante atualização são cruciais não apenas para a conformidade legal, mas para a eficácia real das medidas preventivas e de resposta.
As projeções climáticas são claras: os desafios futuros serão intensificados por secas severas. “Estamos prevendo o fim das chuvas no segundo semestre e uma grande seca, há sério risco de incêndios extremos em 2026 e no mais tardar em 2027”, alertei recentemente. Essa previsão não é para alarmar, mas para reforçar a urgência de que as medidas preventivas sejam implementadas de forma efetiva e imediata em cada propriedade rural.
A conscientização é a chave para o sucesso da PNMIF e para a proteção do nosso agronegócio. É fundamental que os produtores rurais compreendam não apenas as obrigatoriedades legais e as penalidades pelo descumprimento, mas também os benefícios de um manejo adequado do fogo para a sustentabilidade de suas propriedades, a segurança de suas famílias e a preservação dos biomas brasileiros. A prevenção é a melhor ferramenta para garantir um futuro próspero e seguro para o campo.
Aluisio Metelo Junior é Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, engenheiro de incêndio e especialista com mais de 30 anos de experiência em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, ex-Presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais (CONAGIF/LIGABOM) e ex-membro do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF).
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O desafio de vencer o endividamento
O cenário das empresas brasileiras entre 2024 e 2025 acendeu um sinal de alerta que nenhum empreendedor pode ignorar em 2026. O número de pedidos de recuperação judicial deu um salto impressionante, batendo recordes históricos, e o dado mais preocupante é que quase 80% desses casos envolvem micro e pequenos negócios. Isso mostra que o limite financeiro de quem produz está sendo testado ao extremo, criando um ciclo em que a sobrevivência enfraquece o sonho do crescimento.
Quando uma empresa começa a usar todo o dinheiro que entra apenas para pagar juros e parcelas de empréstimos, ela perde o que tem de mais valioso: a sua liberdade de decisão. Esse recurso, que deveria ser usado para comprar estoque, contratar mais pessoas, investir em divulgação ou renovar equipamentos, vai direto para o banco. Com isso, o negócio entra em “modo de defesa” e estagna, para de evoluir e funciona para manter as dívidas sob controle.
O problema é que esse movimento gera uma bola de neve perversa, pois sem investimento a empresa perde eficiência, lucra menos e acaba precisando de ainda mais crédito para não fechar as portas. Nesse estágio, a competitividade desaparece, já que o empresário sufocado compra pior, negocia mal com fornecedores e demora muito mais para reagir às mudanças do mercado.
Para escapar desse ciclo vicioso, a estratégia principal tem sido trocar o improviso pela disciplina financeira rigorosa. As empresas que conseguem evitar a falência ou a recuperação judicial são aquelas que fazem um diagnóstico preciso antes do caixa acabar, entendendo exatamente para quem devem e quais juros estão matando a operação mais rápido. Além disso, a renegociação proativa tem se mostrado o melhor caminho. Esperar o nome sujar ou um processo judicial chegar costuma ser um erro fatal. O segredo é buscar acordos cedo, trocando dívidas caras por linhas mais suaves.
Além de olhar para os bancos, o novo jeito de empreender exige arrumar a própria casa, vendendo ativos que estão parados e focando apenas nos produtos que realmente trazem retorno. O aumento recorde nos pedidos de recuperação judicial é um aviso claro de que o “jeitinho” não funciona mais. Hoje, o crédito deve servir para impulsionar o negócio, e nunca para ser o dono dele. No fim das contas, a lição que fica para o empresário é que uma empresa que trabalha apenas para pagar boletos é uma empresa que perdeu a capacidade de construir o próprio futuro.
João Victor Sasaki é contador e sócio-fundador da Fortech Soluções Empresariais
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