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EMENDAS SOB SUSPEITA

Emendas de Flávio Bolsonaro bancaram empresas investigadas e entidade ‘inexistente’

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Emendas parlamentares destinadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) foram usadas para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de fraude em licitações, além de uma entidade classificada como “inexistente de fato” pela Receita Federal e alvo de apurações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O levantamento foi publicado pelo UOL nesta quinta-feira (1º).

Desde 2020, Flávio teve mais de R$ 300 milhões reservados para emendas. Entre os casos está o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), que recebeu R$ 666 mil de recursos de uma emenda de R$ 3,1 milhões destinada à saúde de Mesquita (RJ). A Receita classificou o instituto como inexistente de fato e apontou indícios de fraude fiscal.

Também foram identificados R$ 569 mil para a Glágio do Brasil e R$ 1,1 milhão para a Inbra-Tecnologia, empresas que aparecem em investigação da PF sobre suspeitas de combinação de contratos para fornecimento de equipamentos de proteção balística. As duas foram alvo da Operação Perfídia, em 2023.

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Outro caso envolve R$ 200 mil destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP). Segundo mensagens reveladas pelo Estadão e citadas pelo UOL, a liberação dos recursos foi tratada por Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado no caso da morte da vereadora Marielle Franco.

Procurado, Flávio afirmou que não indica as empresas contratadas pelos beneficiários e disse que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle. A Prefeitura de Mesquita informou que rescindiu contratos com o IMP, aplicou multa de R$ 3 milhões e declarou a entidade inidônea por dois anos.

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Áudios de Zettel apontam R$ 20 bilhões de Vorcaro no exterior

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Áudios atribuídos ao operador financeiro Fabiano Zettel apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria mantido cerca de R$ 20 bilhões no exterior durante o período de crise do Banco Master. As gravações foram obtidas e divulgadas pela revista piauí e repercutidas pela Revista Oeste nesta quarta-feira (30).

Em uma das conversas, Zettel, que é cunhado de Vorcaro, afirma: “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá”. Segundo a reportagem, as gravações foram realizadas entre 2023 e março de 2026 e fazem parte de conversas entre Zettel e uma mulher com quem ele mantinha relacionamento.

Ainda conforme a publicação, os áudios indicariam que recursos teriam sido enviados ao exterior antes da liquidação do Banco Master. A informação aparece no contexto das investigações que apuram a movimentação e a possível ocultação de patrimônio relacionado ao grupo de Vorcaro.

As gravações também trazem declarações de Zettel sobre a relação de Vorcaro com autoridades e políticos. Em outro trecho, o operador afirma que o ex-banqueiro tinha proximidade com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem se refere pelo apelido de “Xandão”.

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A Revista Oeste também relaciona os relatos dos áudios a outras informações que vieram a público recentemente sobre Vorcaro. Entre elas está a existência de um almoço de luxo oferecido ao ministro Moraes em Campos do Jordão, com caviar, trufas brancas, carnes nobres e vinhos raros.

Outro episódio citado na reportagem envolve um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. Segundo a Oeste, a minuta do contrato passou por alterações no gabinete do ministro. As informações são objeto de apurações e não estabelecem, por si só, irregularidade por parte do magistrado.

As investigações também já identificaram patrimônio ligado a Vorcaro fora do Brasil. Em setembro, o liquidante do Banco Master informou ao STF ter conseguido bloquear aproximadamente R$ 1,4 bilhão em bens ligados ao ex-banqueiro nos Estados Unidos. A lista inclui imóveis, aeronaves, embarcações e obras de arte.

Em decisão relacionada à Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça também registrou que as investigações apontaram a ocultação de recursos bilionários atribuídos a Vorcaro e mencionou o bloqueio de mais de R$ 2,2 bilhões que estavam em conta de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

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Zettel e Vorcaro estão presos preventivamente no âmbito das investigações. A Polícia Federal apura possíveis crimes financeiros, movimentações de recursos e mecanismos utilizados para ocultação de patrimônio. As declarações contidas nos áudios ainda precisam ser confrontadas com documentos e demais elementos reunidos pelas autoridades.

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