CASO MASTER
Fundo com bilhões ligados a Vorcaro é localizado e congelado no exterior
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O rastreamento do patrimônio ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro avançou para além do Brasil e já alcança ativos mantidos no exterior. Segundo informações da jornalista Miriam Leitão, publicadas em sua coluna no jornal O Globo, um fundo com patrimônio avaliado na casa dos bilhões de reais foi localizado e congelado durante as buscas por recursos vinculados ao antigo controlador do Banco Master.
Empresas especializadas foram contratadas para rastrear o caminho do dinheiro e localizar bens e investimentos relacionados a Vorcaro e ao chamado ecossistema Master. Parte dos recursos teria chegado ao fundo por meio de diferentes intermediários.
De acordo com a colunista, pessoas que acompanham o processo estimam que ativos correspondentes a aproximadamente 60% do passivo do banco já tenham sido identificados no Brasil e no exterior. O percentual, porém, é uma estimativa e não representa um balanço oficial definitivo da liquidação.
A recuperação desses recursos é considerada uma das principais frentes do processo de liquidação do Master. Os valores localizados poderão ser utilizados para o pagamento dos credores, seguindo a ordem prevista para a distribuição dos recursos.
Entre os primeiros beneficiários estão os trabalhadores. Na sequência, aparece o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assumiu parte das perdas de investidores do banco, além de outros credores e investidores, incluindo fundos de pensão.
Na Justiça de São Paulo, o liquidante também conseguiu manter uma medida que dificulta a alienação de ativos de três fundos administrados pela CBSF DTVM, antiga Reag. Juntos, Astralo 95, Anna FIC FIDC NP e RR FIDC NP somam R$ 38,2 bilhões em ativos. O valor, contudo, não significa que todo esse patrimônio pertença ao Banco Master ou esteja disponível para ressarcimento de seus credores.
Fora do país, as diligências avançam nos Estados Unidos e nas Ilhas Cayman. O liquidante busca informações sobre contas, imóveis, veículos, obras de arte, joias e outros bens relacionados a Vorcaro, familiares, antigos sócios e empresas ligadas ao grupo.
Uma das estruturas investigadas é a Titan Capital, holding criada por Vorcaro nas Ilhas Cayman. A empresa foi alvo de uma ordem de liquidação e, segundo informações apresentadas pelo liquidante, teria recebido mais de R$ 700 milhões do Banco Master entre janeiro e julho de 2025.
Enquanto a recuperação patrimonial avança, o caso também permanece no centro de disputas judiciais no Supremo Tribunal Federal. Relações entre Vorcaro e pessoas ligadas a integrantes da Corte geraram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. Os ministros mencionados negam irregularidades e apresentaram explicações sobre os contatos citados no caso.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, busca reverter a prisão do ex-banqueiro e questiona aspectos das investigações. O andamento dessas medidas ocorre paralelamente à tentativa de localizar e preservar o patrimônio que poderá ser utilizado para quitar as dívidas do Banco Master.
Com a identificação de ativos em diferentes países, o processo de liquidação amplia o alcance das buscas e passa a depender também de medidas judiciais e cooperação internacional para preservar e eventualmente recuperar os recursos.
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85,1% dos brasileiros acreditam que ministros do STF estão envolvidos no caso Master, aponta Atlas
Uma pesquisa Atlas/Estadão aponta que 85,1% dos entrevistados acreditam que há envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master. O levantamento foi realizado em meio à divulgação de informações e mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a integrantes da Corte.
Segundo o levantamento, a percepção de envolvimento de ministros do Supremo alcançou 85,1% dos entrevistados. O resultado reflete a avaliação dos participantes da pesquisa e não constitui, por si só, comprovação de irregularidades ou de participação ilícita de integrantes do STF no caso.
A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos após a divulgação de informações extraídas do celular de Vorcaro. Entre os episódios analisados estão mensagens trocadas pelo empresário com autoridades e pessoas ligadas ao Judiciário, além de contratos mantidos pelo banco com escritórios de advocacia.
Um dos principais focos das investigações envolve o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Segundo informações divulgadas durante a apuração, o escritório da advogada manteve contrato com o Banco Master no valor de R$ 131 milhões. O conteúdo também provocou divergências dentro do próprio STF.
O ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, questionou documentos produzidos pela Polícia Federal e criticou o uso de relatórios de inteligência que, segundo ele, não teriam valor probatório. Mendonça também pediu o arquivamento de uma representação apresentada por Moraes contra sua atuação no caso.
Além de Moraes, outros ministros passaram a ser mencionados nos desdobramentos do caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que cinco ministros do STF teriam ligação “direta ou indiretamente” com o Banco Master, sem citar os nomes. O presidente também admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2024.
O levantamento Atlas/Estadão ocorre, portanto, em um momento de forte repercussão pública das investigações e de crescente debate sobre as relações entre o Banco Master, autoridades e integrantes do Judiciário.
A pesquisa mede a percepção dos entrevistados sobre o caso, mas a existência de uma percepção majoritária não equivale à confirmação de que ministros tenham cometido irregularidades. As responsabilidades individuais e eventuais ilícitos dependem das investigações e das decisões das autoridades competentes.
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