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CHRISTIANE INDAIÁ

Performo, logo existo. A vida virou uma prova que nunca termina

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ARTIGOS

Caro leitor,

Esses dias, estava pensando nessa mania tola que adotamos e que ganhou uma naturalidade absurda na vida da gente.

Já reparou que existe uma espécie de imperativo silencioso nessa vida contemporânea? O tal do: “dar conta”.

Que diacho é isso?

Dar conta do trabalho, dos filhos, da casa, do corpo, da saúde, do relacionamento, da aparência, da carreira, das redes sociais e, de preferência, fazer tudo isso com equilíbrio, produtividade e um sorriso no rosto.

Não basta estar bem e, às vezes, nem é necessário; o negócio é parecer bem.

No trabalho, é preciso ser produtivo. Os filhos? É preciso criar filhos emocionalmente saudáveis.

Ao envelhecer, claro, é preciso envelhecer bem.

Não basta ter uma profissão; é preciso construir uma carreira muito rentável para validar seu sucesso, e não podemos nos esquecer de que não basta viver uma experiência. É preciso registrá-la, compartilhá-la e transformá-la em conteúdo.

Uma das maiores violências dessa lógica absurda é que até o descanso passou a precisar ser produtivo.

Descansamos para voltar a produzir, fazemos exercício para melhorar a performance, meditamos para controlar a ansiedade, lemos para desenvolver competências, viajamos para proporcionar experiências e, até o hobby, pode virar renda extra.

O prazer das coisas deu espaço ao “performo, logo existo”.

O filósofo Byung-Chul Han define bem quando diz que viramos “empresários de nós mesmos”. Acontece que esse nosso eu empresário nos explora ao extremo e não fazemos nada.

Até o autocuidado, que deveria ser um espaço de encontro consigo mesmo, às vezes se transforma em mais uma cobrança. E é aí que aparece o custo emocional.

O cansaço que não passa. Aparecem a culpa por não fazer o suficiente e a sensação permanente de atraso. Passamos a ter dificuldade de simplesmente estar, de ser.

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Como dar conta de tudo? Pior, por que acreditamos que precisamos dar conta de tudo?

Nós não somos onipotentes nem onipresentes!

De onde saiu esse mandamento que seguimos sem questionar?

Uma coisa é ser responsável, é reconhecer aquilo que depende de nós; outra é acreditar, ainda que silenciosamente, que deveríamos conseguir controlar tudo. Só que ninguém consegue.

Por que transformamos a própria existência em uma sequência interminável de performances? O que acontece?

Por que passamos a carregar um avaliador cruel dentro de nós? Por que alimentamos essa coisa nociva e nem nos damos conta? Aliás, por falar em conta, ela chega alta, ascendente e contínua.

Estresse, dores, choro sem explicação aparente, doenças autoimunes, ansiedade, depressão, infarto, AVC, taquicardia, tremores, compulsões… A lista é enorme, mas seguimos firmes no nosso propósito de produtividade a qualquer custo.

Esquecemos de que somos substituíveis na nossa função na empresa, no mercado de trabalho, na vida do nosso par, no lado que ocupamos na cama em que dormimos, na casa em que habitamos… Que, um século após nossa morte, ninguém saberá absolutamente nada de nós se nossa existência não mudar de alguma forma a história da humanidade.

Quem somos nós? Um exemplar de Mahatma Gandhi? Talvez Nietzsche? Madre Teresa? Quem sabe Frida Kahlo ou Simone de Beauvoir? Gaudí? Niemeyer?

Quem é você? Quem sou eu? Apenas meros mortais com mania de importância, que achamos mesmo que o mundo colapsará sem nossa “grandiosa” contribuição.

O que colapsa é a saúde, o que passa é o tempo, e ele não tem reembolso!

Quantas vezes você já parou para cuidar desse eu que não se vê com os olhos? Quantas vezes você meditou de verdade? Quantas vezes você já se permitiu não fazer porque entendeu que não precisa dar conta? É. Tem coisas de que você não precisa dar conta!!!!

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Responsabilidade não é e não pode significar sacrifício do que é precioso. Não dar conta, deixar para amanhã, escolher outro momento não é fracasso. É amadurecimento. Há problemas que não são nossos e há lutas que não merecem nossa energia.

Penso que precisamos aprender a escolher do que vale a pena dar conta.

O tempo passa enquanto estamos ocupados tentando provar que conseguimos e, no fim, a conta não é a do trabalho que ficou por fazer, da mensagem que demorou a ser respondida, da casa que não estava impecável ou da oportunidade que deixamos passar.

A conta é o tempo que gastamos tentando ser tudo para todos, deixamos de nos cuidar e esquecemos de nós mesmos.

Algumas coisas podem esperar, algumas podem ser delegadas e outras podem simplesmente não ser feitas. E vou te lembrar de que as mais importantes precisam ser vividas sem pressa, sem plateia e sem a obrigação de produzir absolutamente nada.

A vida não é uma prova que precisamos terminar com nota máxima. É a única coisa que temos que viver antes que o tempo, esse sim, encerre a prova.

Christiane Indaiá

Graduada em Letras – Português – Inglês – Literatura — UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce

Professora especialista em Língua Inglesa (24 anos de experiência em cursos livres e ensino fundamental I e II)

Experiência em preparatório para FCE Cambridge Exam

Certificada Cambridge

Pós-graduanda em Comunicação Assertiva pela PUC Minas

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ARTIGOS

Uma ponte logística entre os muitos Brasis

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Uma empresa pode ter um bom produto, preço competitivo e compradores interessados a milhares de quilômetros de distância. Ainda assim, para que essa oportunidade se transforme em negócio, precisa responder a uma pergunta decisiva: como fazer a mercadoria chegar ao destino em condições que viabilizem a venda? Em um país com as dimensões do Brasil, essa resposta influencia até onde um empreendimento consegue crescer.

A expressão “do Oiapoque ao Chuí” traduz nossa percepção de um território imenso, formado por realidades econômicas, distâncias e necessidades distintas. Conectar esses muitos Brasis exige conhecer as particularidades de cada região e organizar uma operação capaz de aproximar fornecedores, comerciantes, indústrias e consumidores. É nesse trabalho cotidiano que a logística participa do desenvolvimento do país.

O avanço do comércio eletrônico evidencia a dimensão dessa responsabilidade. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as vendas on-line com emissão de notas fiscais movimentaram R$ 225 bilhões em 2024, crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior. Entre as micro e pequenas empresas, os valores passaram de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024. São negócios que encontram na internet a possibilidade de ampliar seu público e que precisam de uma estrutura de distribuição para concretizar essa expansão.

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A vitrine digital permite apresentar um produto a compradores de outras regiões. A entrega, por sua vez, depende de planejamento, frequência de atendimento, capacidade operacional e conhecimento do destino. Por isso, defendo que a logística participe das decisões comerciais desde o início. Ao escolher onde vender, uma empresa também precisa avaliar como abastecer esse mercado e manter o relacionamento com seus clientes.

Essa discussão ganha relevância quando olhamos para os negócios localizados fora dos grandes centros. Uma indústria do interior precisa receber insumos e distribuir sua produção. Uma loja depende da reposição de mercadorias para atender à demanda. Um pequeno empreendedor pode encontrar, em outro estado, espaço para crescer. Para todos eles, contar com alternativas de transporte amplia as possibilidades de negociação e de acesso a fornecedores e compradores.

A trajetória da Carvalima foi construída nesse ambiente. Nascemos em Tangará da Serra, em Mato Grosso, em 1989, e desenvolvemos nossa atuação a partir das necessidades de quem produz, comercializa e depende do transporte para movimentar seus negócios. Hoje, com cobertura em 80% do Brasil, temos a responsabilidade de transformar essa abrangência em conexões comerciais para nossos clientes.

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O valor dessa presença aparece nas necessidades que conseguimos atender. Na carga fracionada, por exemplo, o compartilhamento do veículo entre diferentes remessas permite atender empresas que não precisam contratar um caminhão exclusivo. Já as operações dedicadas, o transporte aéreo e as soluções para o comércio eletrônico respondem a demandas distintas de volume, urgência e distribuição. A logística reversa também integra esse processo, porque o relacionamento comercial pode exigir o retorno de uma mercadoria.

Cada solução deve considerar a realidade do negócio. Para quem vende, previsibilidade ajuda a organizar estoques e assumir compromissos. Para quem compra, receber a mercadoria conforme o combinado influencia a confiança no fornecedor. A qualidade dessa relação se constrói ao longo de todo o percurso.

O Brasil reúne mercados que podem se aproximar e empresas que têm condições de conquistar novos espaços. Ampliar as conexões entre eles é uma tarefa que exige investimento, escuta e conhecimento regional. É assim que entendemos o papel da Carvalima: viabilizar o fluxo comercial que permite a uma empresa alcançar outros destinos e transformar essas entregas em novas oportunidades de crescimento.

*Letícia Rodrigues é diretora Comercial e de Marketing da Carvalima.

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