MUDANÇAS NO PIX
Banco Central endurece regras do Pix e amplia punições contra instituições
ECONOMIA
O Banco Central (BC) anunciou novas mudanças nas regras de funcionamento do Pix, com foco principalmente no combate a fraudes, no aumento da responsabilidade das instituições financeiras e no aprimoramento dos mecanismos de segurança.
Entre as alterações está o endurecimento das medidas aplicadas a instituições que descumprirem as regras do sistema. O BC também estabeleceu procedimentos mais rápidos para o bloqueio de recursos associados a operações com suspeita de fraude.
Bloqueio de dinheiro suspeito
As regras determinam que, diante de uma notificação de infração relacionada a uma conta que recebeu uma transação suspeita, o bloqueio dos recursos deve ocorrer imediatamente. A medida também pode ser repetida quando novos valores entrarem na conta, até o limite determinado no procedimento.
O objetivo é dificultar que valores obtidos por meio de golpes sejam rapidamente transferidos para outras contas antes que as instituições consigam agir.
O Banco Central também vem ampliando o alcance do mecanismo de devolução de valores. Desde 2026, o sistema passou a permitir o rastreamento de recursos fraudulentos que tenham sido transferidos para outras contas, aumentando as possibilidades de bloqueio e recuperação do dinheiro.
Regras mais claras para vítimas de golpes
Outra frente de mudança envolve o Mecanismo Especial de Devolução (MED). O BC determinou melhorias na experiência do usuário para facilitar a contestação de transações decorrentes de fraudes e golpes.
A nova versão do sistema permite que a vítima informe com mais detalhes o tipo de fraude, descreva o ocorrido e até envie documentos e comprovantes pelo aplicativo da instituição financeira.
As mudanças entram em vigor em 1º de março de 2027 e também deixam mais claro quando uma situação não se enquadra no MED, como casos de simples desacordo comercial.
Pix Automático e conta-salário
O Banco Central também trabalha na integração do Pix Automático com a conta-salário e na possibilidade de portabilidade, dentro das regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo próprio BC.
A modalidade permite pagamentos recorrentes, como mensalidades escolares, academias e serviços de assinatura, sem a necessidade de realizar cada operação manualmente. O BC publicou, em agosto, novos ajustes técnicos para facilitar o funcionamento dessas recorrências.
Mais fiscalização sobre instituições
As mudanças fazem parte de uma agenda mais ampla do Banco Central para aumentar a segurança do sistema. Entre as medidas já adotadas estão regras mais rígidas para participantes do Pix, mecanismos de bloqueio de chaves envolvidas em fraudes e novas exigências para instituições que operam no sistema.
O BC também passou a permitir que órgãos públicos com atribuição legal de investigação consultem diretamente dados cadastrais vinculados a chaves Pix de pessoas sob investigação, medida voltada ao combate a crimes e fraudes.
ECONOMIA
Lula reajusta Bolsa Família em 15% a 17 dias do primeiro turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quinta-feira (17) o decreto que reajusta em 15,04% os valores do Bolsa Família. A medida foi anunciada a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.
Com o reajuste, o benefício mínimo pago às famílias passa de R$ 600 para R$ 691. Já o valor médio dos pagamentos sobe de aproximadamente R$ 675 para R$ 777. Os novos valores terão efeito financeiro a partir de 1º de outubro, com os pagamentos reajustados previstos no calendário de outubro.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a correção corresponde à reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada em 15,04% desde o início do programa até agosto de 2026.
Segundo o governo, a legislação do Bolsa Família permite a atualização dos valores para preservar o poder de compra dos beneficiários. Moretti afirmou ainda que existe espaço fiscal para absorver o aumento sem alterar o limite global de despesas.
A medida terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda em 2026. Para 2027, o custo adicional deverá ficar em aproximadamente R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões, segundo estimativas divulgadas pela equipe econômica. O governo afirma que fará ajustes na proposta orçamentária para acomodar a despesa.
O reajuste ocorre depois de o governo ter enviado ao Congresso, em 31 de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 sem previsão específica de aumento do Bolsa Família. Na ocasião, o próprio Ministério do Planejamento havia informado que não havia previsão de reajuste no projeto.
A proximidade da medida com o calendário eleitoral também chamou atenção. Segundo levantamento da imprensa, trata-se do reajuste do programa realizado mais próximo de uma eleição presidencial. Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o então Auxílio Brasil também foi elevado em meio ao período eleitoral, mas a mudança ocorreu cerca de 100 dias antes do primeiro turno.
A oposição questionou a medida e apontou problemas na ausência do reajuste na proposta orçamentária enviada anteriormente ao Congresso. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou a alteração como “pedalada fiscal” e questionou o anúncio feito às vésperas da eleição. A avaliação, porém, é uma crítica política da oposição, enquanto o governo sustenta que a atualização possui respaldo legal e será acomodada dentro do espaço fiscal disponível.
O governo afirma que o reajuste também foi viabilizado por medidas de combate a fraudes e pelo aprimoramento dos cadastros dos beneficiários. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, declarou que a modernização do Cadastro Único permitiu maior eficiência na aplicação dos recursos.
Com a mudança, o benefício de Renda de Cidadania, pago por integrante da família, passa para R$ 164. O Benefício Primeira Infância sobe para R$ 173, enquanto o Benefício Variável Familiar passa a R$ 58.
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