Jantar Cancelado
Mohammed bin Salman fará homenagem em encontro nesta sexta-feira em Paris, dois dias após Lula afirmar que diferenças ideológicas não devem impedir diplomacia
BRASIL
O presidente Lula (PT) cancelou hoje o jantar com Mohammed bin Salman al Saud, príncipe que deu de presente o kit de joias à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e suspeito de mandar matar o jornalista Jamal Khashoggi.
O que aconteceu? O evento saiu da agenda oficial do presidente nesta tarde, poucas horas antes do evento. O Planalto alegou agenda intensa na viagem a Brasília. Não há nova data.
O jantar, na Residência Oficial do Reino da Arábia Saudita em Paris, foi acrescentado no meio da viagem e causou repercussão negativa. O evento estava marcado para acontecer às 20h30 (horário local, 15h30 em Brasília).
Segundo a assessoria de comunicação, a agenda de ontem “acabou muito tarde” e os planos foram revistos. Um encontro com o presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ilan Goldfajn, foi colocado no lugar para as 18h30 (horário local, 13h30 em Brasília).
Inicialmente, a saída de Lula estava prevista para esta noite, às 21h, no horário de Paris (16h em Brasília). Hoje, a comitiva decidiu mudar a partida para a manhã de amanhã (24), após um pronunciame, após um pronunciamento à imprensa às 8h (horário local, 3h em Brasília). Lula participa hoje de vários encontros em Paris, após sua participação na Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global.
Ele também tem na agenda um almoço com o presidente francês, Emmanuel Macron, e encontros com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e o presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso.
Quem é o príncipe herdeiro? Mohammed bin Salman al Saud presenteou Michelle Bolsonaro com um kit de joias. O governo Bolsonaro teria tentado trazer os bens ao Brasil de forma ilegal, sem declará-los, e as joias acabaram detidas pela Receita Federal no aeroporto de Guarulhos.
O príncipe também é suspeito de mandar matar o jornalista Jamal Khashoggi em 2018. Segundo relatório de inteligência dos EUA publicado em março de 2021, ele teria autorizado o assassinato ou captura do jornalista, que era crítico do príncipe.
BRASIL
Master pagou R$ 33 milhões a ex-diretora de instituto fundado por Gilmar, aponta PF
A Polícia Federal identificou o pagamento de R$ 33 milhões do Banco Master ao escritório de advocacia Alves Correa, ligado à advogada Dalide Correa, que já ocupou cargo de direção no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta de documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) analisados pela PF.
O caso ganhou atenção porque, segundo diálogos interceptados pela Polícia Federal entre executivos do Banco Master, o escritório era apresentado internamente como um “canal direto com o STF”. Nas conversas, os pagamentos destinados à banca de Dalide eram relacionados à suposta capacidade de interlocução com a Corte. Os investigadores, porém, não encontraram nas conversas menções a nomes específicos de ministros do Supremo.
O valor aparece entre as maiores despesas jurídicas do Banco Master em 2024. De acordo com o relatório do BRB, o banco gastou R$ 215 milhões com advogados no ano fiscal de 2024, contra R$ 76 milhões no ano anterior.
Do montante, R$ 40 milhões foram destinados ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Na sequência, aparecem os R$ 33 milhões pagos ao escritório de Dalide Correa. O relatório apontou que as despesas jurídicas do banco haviam mais que triplicado em relação ao ano anterior.
A relação profissional entre Dalide Correa e Gilmar Mendes remonta ao período em que o atual ministro do STF ocupava o cargo de advogado-geral da União, entre 2000 e 2002. Na época, Dalide trabalhava no setor jurídico da Caixa Econômica Federal. Posteriormente, ela ocupou cargo de chefia no IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes, deixando a função em 2017.
Apesar dos registros identificados na auditoria, Dalide Correa negou ter prestado serviços ao Banco Master. Em nota, afirmou que seu escritório nunca atuou para a instituição no STF e que não procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados ao banco.
Segundo a advogada, os trabalhos mencionados estavam relacionados a processos judiciais originalmente conduzidos para empresas que venderam créditos ao Banco Master e que posteriormente foram sucedidas pelo banco. Ela afirma que essa atuação ocorreu exclusivamente em primeira e segunda instâncias.
A assessoria de Gilmar Mendes não se manifestou sobre o caso.
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