VEJA
Justiça do AM mantém bloqueio financeiro da Oliveira Energia de R$ 304 milhões
JURÍDICO
Manaus – A Justiça do Amazonas manteve a retenção de até R$ 304 milhões das operações de venda de ativos da Oliveira Energia Geração e Serviços Ltda., do empresário Orsine Oliveira, que era controladora da Amazonas Energia, até abril. A medida foi assinada pelo juiz Roberto Santos Taketomi, no último dia 22, da 2ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, no âmbito de uma execução movida por credores liderados pelo empresário Eládio Messias Cameli.
No processo a Oliveira Energia havia pedido a substituição da ordem de penhora e arresto de créditos pela oferta voluntária de uma Carta de Fiança Bancária, emitida pelo Banco Bradesco, no montante de R$ 395.770.531,79. A empresa argumentou que o instrumento cumpria os requisitos legais e solicitou o levantamento imediato das restrições junto às compradoras.
O magistrado determinou que as medidas anteriores permanecem ativas e eficazes até a deliberação definitiva sobre a aceitação da garantia. O juiz fundamentou que a homologação da fiança bancária e a liberação de penhoras deve levar em contao outro lado. A ação é movida por Construtora Amazônidas, Eládio Messias Cameli e Solienergy Participaçoes Ltda.
Apesar da manutenção dos bloqueios, a decisão judicial suspendeu provisoriamente o dever de exibição de documentos imposto às empresas terceiras adquirentes, que incluem a J&F S.A., Futura Venture Capital de Participações Ltda., FIP Infraestrutura Milão e Âmbar Energia S.A., hoje controladora da distribuidora de energia no Amazonas.
A suspensão abrange a apresentação em juízo de contratos, memorandos, aditivos e balanços relacionados às transações societárias. O magistrado considerou que a exigência de apresentação destes contratos de transferência de controle societário envolve segredo de negócio e poderia gerar outros processuais custosos.
“O contraditório prévio é indispensável para que o credor avalie a suficiência da garantia, a abrangência da cobertura e a higidez das cláusulas contratuais da apólice apresentada. Por essa razão, indefiro o pedido de suspensão ou levantamento imediato das ordens de bloqueio, penhora e arresto de créditos determinadas na decisão. As constrições vigentes permanecem integralmente ativas e eficazes até que este juízo delibere definitivamente sobre a aceitação da fiança bancária”, escreveu o juiz na decisão.
JURÍDICO
Ex-secretário de saúde e outros quatros pessoas viram réus por supostas fraudes na Saúde de Cuiabá durante a Covid-19
O juiz Paulo Cézar Alves Sodré, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal em Mato Grosso, acatou uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu o ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Antônio Possas de Carvalho, e mais quatro pessoas em uma ação penal que investiga um suposto esquema de fraudes licitatórias em contratos celebrados durante a pandemia da Covid-19.
Também respondem ao processo o ex-secretário adjunto da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), João Henrique Paiva, os então servidores Elisandro de Souza Nascimento e Juliana Martins da Rocha, e o empresário Alexandre Alves Guimarães.
O processo é derivado da Operação Colusão, que apurou contratos celebrados com a empresa MT-Pharmacy Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares Eireli, que somam R$ 1,9 milhão, para a aquisição de materiais de consumo hospitalar e equipamentos de proteção individual (EPIs) durante a pandemia, em 2020.
O Ministério Público Federal denunciou os investigados pelos crimes de dispensa ilegal de licitação, fraude ao caráter competitivo, fraude em licitação e peculato.
Ao analisar a denúncia, o magistrado considerou que a inicial atendeu aos requisitos legais por expor o fato criminoso com todas as suas circunstâncias. Segundo ele, há indícios de materialidade e autoria delitiva, o que justifica o início da ação penal.
Ao denunciar os acusados, o MPF afastou a possibilidade de propor Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) diante das penas previstas para os crimes imputados, da conduta reiterada dos investigados e da gravidade dos fatos apurados.
Além disso, ressaltou que está desmembrando os fatos apurados na Operação Colusão e que ainda deverá apresentar denúncia pelos crimes de lavagem de dinheiro e outros eventuais delitos.
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