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OPERAÇÃO MERX

Corregedoria encontra 49 celulares e quase R$ 20 mil em salas de investigadores em SP

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POLÍCIA

Uma fiscalização da Corregedoria da Polícia Civil encontrou 49 celulares lacrados, R$ 19,5 mil em espécie e duas armas em salas de investigadores do 1º Distrito Policial de Barueri, na Grande São Paulo. Os materiais foram localizados durante uma diligência que integra as investigações da Operação Merx, deflagrada nesta sexta-feira (28).

Os investigadores Marcos Vinicius de Souza Melo e Vagner Ramalho, que são alvos da operação, não estavam na delegacia quando os corregedores chegaram. Segundo informações reunidas no processo que levou à prisão preventiva dos dois, ambos teriam deixado a unidade pouco antes da fiscalização.

A diligência ocorreu após uma denúncia anônima indicar que policiais do distrito teriam apreendido uma carga de celulares e deixado parte dos aparelhos fora do registro oficial da ocorrência.

Celulares estavam em saco de lixo

Na sala utilizada por Marcos Vinicius, os agentes localizaram 49 aparelhos celulares novos e lacrados dentro de um saco de lixo. Os modelos e marcas eram semelhantes aos produtos que teriam sido retirados de uma carga durante uma abordagem policial.

Também foram encontrados outros seis celulares novos sobre a mesa do investigador-chefe.

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Dentro do cofre destinado ao armazenamento de armas, os corregedores localizaram ainda R$ 19.577 em dinheiro. Duas armas calibre .38 registradas em nome de pessoas sem ligação com a unidade também foram apreendidas.

Marcos Vinicius não compareceu pessoalmente durante a diligência, mas forneceu à distância a senha necessária para que os agentes tivessem acesso à sala.

Sala de outro investigador também foi vistoriada

Na sala ocupada por Vagner Ramalho, os policiais encontraram três celulares, R$ 4 mil em dinheiro e a Carteira Nacional de Habilitação do investigador.

O ambiente apresentava indícios de que ele havia saído pouco antes da chegada da equipe. As luzes e o ar-condicionado estavam ligados, enquanto o computador permanecia desbloqueado e com o WhatsApp Web aberto.

A arma particular de Ramalho não foi encontrada no local. De acordo com os documentos da investigação, ele foi chamado para acompanhar a fiscalização, mas não retornou à delegacia.

Suspeita de extorsão

As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), apontam que os dois policiais fariam parte de uma organização criminosa envolvida com abordagens de cargas de produtos eletrônicos contrabandeados.

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Segundo a apuração, os agentes envolvidos no esquema cobrariam valores elevados para devolver mercadorias apreendidas ou permitir que caminhões fossem liberados. Em alguns casos, a cobrança chegaria a aproximadamente 70% do valor dos produtos.

Em um dos episódios investigados, a organização teria exigido R$ 900 mil para devolver uma carga ao proprietário.

A Operação Merx também apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e envolve, além de policiais civis, contrabandistas e um advogado.

Sete prisões preventivas

Diante dos elementos apresentados pela Corregedoria e pelo Ministério Público, o juiz Djalma Moreira Gomes Junior, da Vara Regional das Garantias de Osasco, determinou a prisão preventiva de Marcos Vinicius e Vagner Ramalho.

Na decisão, o magistrado considerou que outras medidas cautelares não seriam suficientes diante da gravidade das suspeitas e da possibilidade de interferência na coleta de provas.

A Operação Merx cumpriu mandados em municípios de São Paulo, Paraná e Goiás. Ao todo, sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada.

A Justiça também determinou o afastamento de um investigador das funções e autorizou o bloqueio e sequestro de bens dos investigados, no limite de R$ 4 milhões.

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POLÍCIA

PF aponta empresária de Cuiabá como suspeita de ocultar patrimônio do tráfico

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A Polícia Federal investiga a advogada e empresária cuiabana Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro por suposta participação na ocultação de patrimônio ligado ao tráfico internacional de drogas e armas.

Segundo a investigação, ela teria utilizado contas bancárias, joias e imóveis para dificultar a identificação da origem de recursos ilícitos. A empresária foi presa durante a Operação Bóreas, deflagrada na terça-feira (25), mas recebeu liberdade por decisão judicial na quinta-feira (27).

A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão em Cuiabá e Palmas e prendeu outras oito pessoas. A investigação aponta a existência de uma organização responsável por transportar cocaína e armamentos da Bolívia e do Peru para o Brasil utilizando aeronaves e pistas clandestinas.

As suspeitas contra Thatiana surgiram após a análise do celular do irmão dela, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, preso em fevereiro de 2025 com uma aeronave que transportava 475 quilos de cocaína.

Durante as buscas na residência da empresária, em Cuiabá, foram apreendidos joias, relógios, veículos e dinheiro.

A defesa nega o envolvimento de Thatiana no esquema e afirma que uma das mensagens usadas na investigação é de 2024 e não teria relação com os fatos apurados.

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A PF estima que o grupo tenha realizado ao menos nove voos entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, com cargas de aproximadamente 500 quilos de cocaína por viagem.

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