DECISÃO JUDICIAL
Justiça vai reavaliar pedido de afastamento de secretário de Flávia Moretti
POLÍTICA MT
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a anulação da decisão de primeira instância que havia negado, de forma generalizada, o afastamento cautelar do Secretário Municipal de Governo de Várzea Grande, Silvio Aparecido Fidélis.
Com a nova determinação, proferida neste sábado (11), o Juízo da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande será obrigado a reavaliar individualmente cada um dos pedidos de urgência apresentados em uma Ação Popular, que aponta graves indícios de corrupção, falhas de planejamento e pagamentos indevidos na gestão municipal.
A decisão monocrática foi proferida pela desembargadora relatora Helena Maria Bezerra Ramos, pertencente à Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo do TJMT. O recurso (Agravo de Instrumento nº 1011146-33.2026.8.11.0000) foi interposto pelo advogado Juliano Banegas Brustolin contra a decisão inicial do juízo de piso, que havia indeferido integralmente e em bloco todas as medidas liminares pleiteadas na peça inaugural do processo de referência.
Suposto esquema em Várzea Grande
A ação popular principal (nº 1009226-18.2026.8.11.0002) tem como alvo um contrato administrativo específico da Prefeitura de Várzea Grande: o Contrato nº 095/2022, decorrente do Pregão Eletrônico nº 01/2022 e originado pelo Processo Administrativo nº 766987/2021.
A contratação envolve a empresa Allegratur Agência de Viagens e Turismo Ltda., também figurante como agravada no recurso judicial. Fidelis é suspeito de ter cometido crimes como fraude à licitação e superfaturamento de contratos, de acordo com denúncia feita pela própria prefeita Flávia Moretti que, meses depois, de maneira inexplicável, nomeou Fidelis para o cargo de secretário.
De acordo com os argumentos apresentados pelo autor da ação, a probabilidade do direito e o perigo de lesão ao erário estão fortemente respaldados por um Relatório Técnico emitido pela própria Controladoria-Geral do Município. O documento interno aponta severas falhas no planejamento e na fiscalização das contratações, inconsistências nas medições de quilometragem, além de indicar a ocorrência de pagamentos potencialmente indevidos, caracterizando forte risco de dano ao patrimônio público.
A permanência de Silvio Aparecido Fidélis no primeiro escalão da administração de Flávia Moretti foi classificada pelo autor do processo como um risco à produção de provas. Sob a alegação de que o acervo probatório documental e os sistemas de controle permanecem totalmente concentrados sob a estrutura administrativa comandada pelos investigados, o advogado Juliano Brustolin pediu o afastamento temporário do secretário, sem prejuízo de sua remuneração, para evitar eventuais ocultações ou adulterações de documentos essenciais.
Fundamentação “deficiente”
Ao analisar o caso, a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos acolheu a tese recursal e a manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que também havia opinado pelo provimento do agravo para anular o despacho inicial.
O entendimento unânime entre o Ministério Público e a relatora é de que o juiz de primeira instância proferiu uma “fundamentação genérica e aparente”, violando regras do Código de Processo Civil (CPC) e da Constituição Federal.
A magistrada destacou que o juiz de origem utilizou uma justificativa única para indeferir pedidos de naturezas completamente distintas. Na primeira decisão, o magistrado de piso havia despachado de forma genérica que “o requerente não demonstrou de forma robusta a verossimilhança” e que “a cautela recomenda o estabelecimento do contraditório antes de medidas drásticas”.
A relatora frisou que as medidas de exibição de documentos, requisição de relatórios ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e preservação do acervo probatório possuem menor grau de ingerência e urgência distinta do afastamento do cargo e da suspensão de pagamentos, exigindo, portanto, fundamentação específica e pormenorizada.
Diante do vício insanável de fundamentação, o Tribunal de Justiça considerou inviável analisar diretamente o mérito dos pedidos de afastamento e suspensão contratual, sob pena de incorrer em supressão de instância. Com o provimento do recurso, os autos retornam imediatamente à 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande.
O magistrado de origem deverá proferir uma nova decisão. Desta vez, terá de examinar de forma separada, minuciosa e fundamentada a necessidade de afastar Silvio Aparecido Fidélis do cargo, a ordem de suspensão dos repasses financeiros à Allegratur e os mecanismos urgentes de retenção e segurança das provas documentais do município.
POLÍTICA MT
Sinfra prevê concluir obras do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande até dezembro de 2026
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, e a equipe técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) informaram, nesta segunda-feira (13), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que as obras do BRT no trecho entre a Avenida do CPA, em Cuiabá, e o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, devem ser concluídas até o fim de dezembro de 2026.
Durante a apresentação, os representantes detalharam as alterações no projeto das 77 estações, o cronograma de execução das obras, a futura implantação do corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa, a aquisição de ônibus elétricos e as medidas adotadas pelo Governo do Estado após a rescisão do contrato com a primeira empresa responsável pela execução do empreendimento.
Antes de deixar a audiência pública, Marcelo Oliveira afirmou que a venda dos trens e o leilão dos materiais remanescentes do antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) devem gerar mais de R$ 1 bilhão em recursos para os cofres públicos. O secretário também rebateu críticas à execução das obras do novo sistema de transporte e destacou que a equipe precisou enfrentar desafios decorrentes do crescimento populacional e do aumento da frota de veículos entre 2012 e 2024.
Segundo Oliveira, a primeira empresa contratada para executar o projeto não conseguiu cumprir as obrigações previstas em contrato, o que levou o Governo do Estado a rescindir o acordo, aplicar penalidades e reformular o modelo de execução das obras. Ele acrescentou que, durante a execução dos trabalhos em Várzea Grande, a gestão municipal da época também impôs dificuldades que, segundo ele, comprometeram o andamento do empreendimento.
Sobre a implantação do corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa, o secretário-adjunto de Obras da Sinfra, Isac Nascimento, informou que a licitação ainda não foi lançada e, por isso, não há recursos empenhados para a execução da obra. Segundo ele, os trabalhos nesse trecho devem começar apenas no próximo ano. Nascimento também confirmou que o processo de aquisição dos ônibus elétricos segue em tramitação interna na Sinfra.
O trecho do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande terá 15 quilômetros de extensão, enquanto o corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa contará com aproximadamente sete quilômetros. Isac Nascimento afirmou ainda que o projeto das 77 estações passou por uma reformulação para oferecer mais qualidade, segurança e durabilidade aos usuários. No trecho entre Cuiabá e Várzea Grande, serão utilizados 25 ônibus elétricos para atender a população.
Questionado sobre o processo licitatório para a continuidade das obras, Nascimento explicou que o Estado identificou a necessidade de aprimorar o projeto original, substituindo itens inicialmente previstos, como o sistema convencional de ar-condicionado, que será trocado por equipamentos industriais. O novo projeto também prevê a instalação de vidros antivandalismo e outras melhorias estruturais nas estações.
O secretário-adjunto informou que o cronograma inicial do Lote 1 das obras do BRT, correspondente ao primeiro corredor estrutural de transporte coletivo entre o Terminal de Várzea Grande e o Terminal do CPA, em Cuiabá, previa a conclusão dos serviços em seis meses, com a abertura simultânea de sete frentes de trabalho no trecho entre o Viaduto da Sefaz e a Ponte Júlio Müller.
No entanto, segundo ele, a estratégia precisou ser revista após a abertura da primeira frente de obras, quando os impactos no trânsito provocaram reclamações da população e repercussão na imprensa. De acordo com Nascimento, caso todas as frentes fossem abertas ao mesmo tempo, conforme o planejamento inicial, haveria risco de colapso na mobilidade urbana de Cuiabá, o que exigiu a revisão do cronograma de execução.
“A execução da obra passou a ser conduzida de forma gradual, em alinhamento permanente com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), responsável pela gestão do trânsito na capital. As intervenções são planejadas em conjunto para definir quais trechos podem ser interditados, considerando também outras obras em andamento na cidade, como as executadas pela concessionária de abastecimento de água e esgotamento sanitário”, explicou o secretário-adjunto da Sinfra.
Fonte: ALMT – MT
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