GABRIEL NOVIS NEVES
Desejos ocultos
ARTIGOS
Havia uma lata de biscoitos guardada no alto do armário.
Sabíamos exatamente onde ficava.
Minha mãe dizia que era para as visitas.
Mesmo assim, às vezes conseguíamos um escondido.
O gosto parecia melhor justamente porque vinha acompanhado de risco.
Quantos riscos atravessei ao longo da caminhada.
Um deles, foi quando minha vida esteve na ponta de uma arma, bem distante daqui.
Outros ficaram apenas na ameaça.
Chamava tudo isso de estripulias da juventude.
Andava em favelas perigosas prestando assistência médica.
Frequentava bairros distantes, marcados pela violência.
Trabalhei em hospitais na Penha, na Ilha do Fundão e em Jacarepaguá.
Namorar escondido também era arriscado.
Tudo que é proibido tem sabor de aventura.
Ir ao cinema e temer o lanterninha flagrar um beijo roubado.
Ou namorar na sala, enquanto os pais da moça saiam para uma visita rápida nas proximidades.
Nessas horas, eu pensava na lata de biscoito lá de casa, escondida no alto do armário.
As grandes emoções nascem do risco — e como são desejadas!
A tempestade a bordo de um avião é risco puro, que se transforma em imensa felicidade quando pousamos em segurança.
Dizem até que o melhor da viagem é chegar em casa e tirar os sapatos.
O risco muda o sabor das coisas.
Torna-as mais intensas.
Nós nascemos da união de duas células —uma masculina e outra feminina.
Cada vez que penso no processo da reprodução humana, mais acredito no milagre que é existir. O gosto do risco parece sempre superar o medo.
Talvez por isso o mundo continue a se multiplicar.
No reino animal, em certas espécies, o risco da procriação é fatal.
Ainda assim, a vida insiste.
Desde que há vida, é assim.
E continuará sendo.
Como a lata de biscoito no alto do armário — sempre guardada, sempre tentadora, sempre nos ensinando que o sabor aumenta quando há um pouco de risco.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
ARTIGOS
Futuro Mineral
Mato Grosso é, por natureza, uma potência. Se consolidamos nossa força global através do agronegócio, o subsolo mato-grossense agora clama por um protagonismo equivalente. Como advogada especializada em Direito Minerário e entusiasta do setor — caminho este que me levou a idealizar a Expominério —, acompanho com entusiasmo e senso de urgência a tramitação do Projeto de Lei nº 1952/2025 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A proposta, de autoria do deputado estadual Max Russi, não é apenas uma formalidade burocrática; é o alicerce da Política Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Mais do que isso, o projeto institui o Sistema e o Conselho Estadual de Recursos Minerais, ferramentas que prometem tirar Mato Grosso de uma posição de “expectativa” para a de “referência mundial” em gestão e governança mineral.
O potencial geológico de Mato Grosso é vasto e diversificado, abrangendo desde o ouro e o diamante até minerais críticos para a transição energética e fertilizantes essenciais para o próprio agro. No entanto, o crescimento desse setor sempre esbarrou na fragmentação de dados e na ausência de uma política de Estado perene. E essa proposta preenche uma lacuna ao criar o Conselho Estadual de Recursos Minerais. Para o setor produtivo, um órgão colegiado permite que o diálogo entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil seja técnico e transparente. Do ponto de vista jurídico, isso se traduz na tão sonhada segurança jurídica, essencial para atrair investimentos de longo prazo. Para o cidadão, significa fiscalização rigorosa e sustentabilidade real.
Um dos pontos mais louváveis da proposta é o foco na “Transformação Mineral”. Historicamente, o Brasil — e Mato Grosso não foge à regra — exporta minério bruto e importa tecnologia e produtos manufaturados. A nova política estadual incentiva o adensamento da cadeia produtiva dentro do nosso território. Queremos que o valor agregado fique aqui. Queremos indústrias que processem nossos minerais, gerando empregos qualificados, arrecadação de impostos e desenvolvimento tecnológico local.
A mineração moderna, que defendemos na Expominério, é aquela que caminha lado a lado com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. O projeto de lei entende que a mineração não termina na boca da mina; ela começa ali um ciclo de prosperidade para o Estado. Por isso, a criação de um Sistema Estadual de Geologia permitirá um mapeamento detalhado do nosso solo. Conhecimento é poder: saber exatamente o que temos e onde temos permite um planejamento urbano, logístico e ambiental muito mais eficaz, evitando conflitos de uso do solo e otimizando a infraestrutura necessária para o escoamento da produção.
Estamos diante de uma oportunidade histórica. A aprovação deste PL sinaliza que Mato Grosso está pronto para ser o novo gigante da mineração sustentável no Brasil. É um convite para que mineradoras de todos os portes vejam o estado como um ambiente seguro, moderno e desburocratizado. Como operadora do Direito e defensora do setor, entendo que a mineração é a “indústria das indústrias”. Tudo o que nos cerca — da tecnologia no campo à construção civil — depende dela. Este projeto é o passaporte para que Mato Grosso diversifique sua matriz econômica com responsabilidade e inteligência.
Ao votarem favoravelmente a esta legislação, os parlamentares da ALMT não estarão apenas aprovando um texto legal, mas garantindo que a riqueza do nosso subsolo se transforme em bem-estar social, infraestrutura e orgulho para todos os mato-grossenses. O futuro é mineral, e Mato Grosso finalmente está assumindo as rédeas desse destino.
Pamela Alegria é advogada especialista em Direito Minerário e uma das idealizadora da Expominério.
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