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Pamela Alegria

Futuro Mineral

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Mato Grosso é, por natureza, uma potência. Se consolidamos nossa força global através do agronegócio, o subsolo mato-grossense agora clama por um protagonismo equivalente. Como advogada especializada em Direito Minerário e entusiasta do setor — caminho este que me levou a idealizar a Expominério —, acompanho com entusiasmo e senso de urgência a tramitação do Projeto de Lei nº 1952/2025 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

A proposta, de autoria do deputado estadual Max Russi, não é apenas uma formalidade burocrática; é o alicerce da Política Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Mais do que isso, o projeto institui o Sistema e o Conselho Estadual de Recursos Minerais, ferramentas que prometem tirar Mato Grosso de uma posição de “expectativa” para a de “referência mundial” em gestão e governança mineral.

O potencial geológico de Mato Grosso é vasto e diversificado, abrangendo desde o ouro e o diamante até minerais críticos para a transição energética e fertilizantes essenciais para o próprio agro. No entanto, o crescimento desse setor sempre esbarrou na fragmentação de dados e na ausência de uma política de Estado perene. E essa proposta preenche uma lacuna ao criar o Conselho Estadual de Recursos Minerais. Para o setor produtivo, um órgão colegiado permite que o diálogo entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil seja técnico e transparente. Do ponto de vista jurídico, isso se traduz na tão sonhada segurança jurídica, essencial para atrair investimentos de longo prazo. Para o cidadão, significa fiscalização rigorosa e sustentabilidade real.

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Um dos pontos mais louváveis da proposta é o foco na “Transformação Mineral”. Historicamente, o Brasil — e Mato Grosso não foge à regra — exporta minério bruto e importa tecnologia e produtos manufaturados. A nova política estadual incentiva o adensamento da cadeia produtiva dentro do nosso território. Queremos que o valor agregado fique aqui. Queremos indústrias que processem nossos minerais, gerando empregos qualificados, arrecadação de impostos e desenvolvimento tecnológico local.

A mineração moderna, que defendemos na Expominério, é aquela que caminha lado a lado com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. O projeto de lei entende que a mineração não termina na boca da mina; ela começa ali um ciclo de prosperidade para o Estado. Por isso, a criação de um Sistema Estadual de Geologia permitirá um mapeamento detalhado do nosso solo. Conhecimento é poder: saber exatamente o que temos e onde temos permite um planejamento urbano, logístico e ambiental muito mais eficaz, evitando conflitos de uso do solo e otimizando a infraestrutura necessária para o escoamento da produção.

Estamos diante de uma oportunidade histórica. A aprovação deste PL sinaliza que Mato Grosso está pronto para ser o novo gigante da mineração sustentável no Brasil. É um convite para que mineradoras de todos os portes vejam o estado como um ambiente seguro, moderno e desburocratizado. Como operadora do Direito e defensora do setor, entendo que a mineração é a “indústria das indústrias”. Tudo o que nos cerca — da tecnologia no campo à construção civil — depende dela. Este projeto é o passaporte para que Mato Grosso diversifique sua matriz econômica com responsabilidade e inteligência.

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Ao votarem favoravelmente a esta legislação, os parlamentares da ALMT não estarão apenas aprovando um texto legal, mas garantindo que a riqueza do nosso subsolo se transforme em bem-estar social, infraestrutura e orgulho para todos os mato-grossenses. O futuro é mineral, e Mato Grosso finalmente está assumindo as rédeas desse destino.

 Pamela Alegria é advogada especialista em Direito Minerário e uma das idealizadora da Expominério.

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Há algo profundamente equivocado na forma como os partidos políticos operam no Brasil contemporâneo. E o problema não é apenas de desempenho, é de essência.

Historicamente, um partido político nunca foi pensado como uma máquina de poder desprovida de princípios. Para Edmund Burke, tratava-se de uma associação de cidadãos unidos por ideias e comprometidos com o interesse público. Na leitura de Max Weber, os partidos são instrumentos fundamentais de organização da vontade política, responsáveis por dar racionalidade à disputa pelo poder. Em síntese, deveriam ser pontes entre a sociedade e o Estado e não estar nos balcões de negócios.

Mas essa ponte foi, aos poucos, sendo substituída por uma estrutura com lógica empresarial.

O avanço do financiamento público de campanhas, embora tenha surgido com o objetivo legítimo de reduzir a influência do poder econômico privado, produziu um efeito colateral preocupante: transformou os partidos em gestores de grandes volumes de recursos. O controle dessas verbas passou a ser, em si, um ativo político. E onde há ativos, há disputa, cálculo e interesse.

Nesse ambiente, confirma-se a advertência de Robert Michels sobre a “lei de ferro das oligarquias”: poucos controlam muitos, e o objetivo deixa de ser representar para se tornar preservar o próprio poder. Dirigentes partidários assumem o papel de executivos; candidaturas tornam-se investimentos; e o eleitor, reduzido à condição de mercado consumidor.

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O resultado é visível: partidos que já não se estruturam em torno de ideias, mas de estratégias. Programas são substituídos por narrativas; convicções dão lugar à conveniência; e a política, esvaziada de conteúdo, passa a operar sob a lógica do marketing.

É nesse ponto que a degradação se aprofunda. Em vez de qualificar o debate público, muitos atores políticos passaram a explorá-lo emocionalmente. A religião, que deveria ser fonte de valores éticos e reflexão espiritual, é instrumentalizada como ferramenta de mobilização. O medo, analisado por Thomas Hobbes como elemento estruturante da ordem política, é manipulado para gerar dependência e controle. E o ódio, como já advertia Theodor Adorno, transforma adversários em inimigos, corroendo as bases da convivência democrática.

A política, assim, deixa de ser o espaço do diálogo como defendia Hannah Arendt para se tornar um campo de disputa emocional, onde vencer importa mais do que convencer.

E talvez esse seja o ponto mais crítico: não se trata de uma crise de partidos isolados, mas de uma crise do próprio sistema de representação. Como alerta Giovanni Sartori, a democracia depende de partidos com identidade, coerência e responsabilidade. Sem isso, o que resta é uma estrutura vazia, facilmente capturada por interesses circunstanciais.

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O Brasil, hoje, enfrenta exatamente esse risco. Partidos que deveriam formar lideranças e oferecer caminhos para o país passaram a operar como empresas políticas, orientadas por retorno, seja ele financeiro, eleitoral ou de poder.

Não é exagero afirmar: quando a política se transforma em negócio, a democracia se torna produto.

Reverter esse quadro exige mais do que reformas legais ou ajustes institucionais. Exige uma mudança de cultura política. É preciso resgatar o sentido original dos partidos: espaços de construção coletiva, guiados por ideias, responsabilidade e compromisso com o bem comum.

Sem isso, continuaremos assistindo à substituição da política pela estratégia, da verdade pela narrativa e do cidadão pelo consumidor eleitoral.

E uma democracia de consumidores jamais será uma democracia de cidadãos.

João Edisom de Souza é analista político e professor universitário

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