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CORONEL ASSIS

Ingovernabilidade de Lula

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ARTIGOS

Na última semana, a cena política brasileira assistiu a dois episódios significativos que simbolizam, de forma inequívoca, um momento histórico de retomada da autonomia do Congresso Nacional e falta de governabilidade do Governo Lula.

Primeiro, a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, foi uma derrota histórica para o governo.

Em seguida, o Congresso derrubou o veto presidencial à chamada dosimetria de penas, garantindo justiça aos condenados de forma rasteira e sem provas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Esses dois fatos demarcam um novo rumo para a política nacional, tendo o Governo Lula amargado o resultado de uma postura revanchista e sem harmonia com o Congresso Nacional.

A rejeição de Messias, ocorrida por 42 votos contra 34, abaixo do mínimo de 41 necessários, é resultando na primeira negativa a um indicado presidencial ao STF em mais de 130 anos, demonstrando que o governo não conseguiu consolidar uma base de apoio sólida nem mesmo para questões consideradas centrais à sua estratégia institucional.

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Essa derrota transcende a simples escolha de um nome para a Corte, e expõe falhas na interlocução com líderes partidários e sinaliza um desgaste político que tem raízes tanto na correlação de forças no Congresso quanto em pressões de contexto e de cenário eleitoral à frente.

Logo em seguida, a derrubada do veto ao projeto da dosimetria revela que a agenda do Executivo hoje encontra resistência até em temas que deveriam ser objeto de negociação política mais sutil. A decisão do Legislativo reafirma o seu protagonismo institucional e mostra que a Casa não está disposta a transformar vetos presidenciais em meros trâmites formais, sobretudo quando há uma convergência ampla de parlamentares contrários às posições do Planalto.

O conjunto desses dois eventos indica, de forma cristalina, que o governo Lula atravessa um momento de perda de governabilidade. A dificuldade em articular apoio mínimo para uma indicação ao STF e para manter um veto presidencial essencial refletem, acima de tudo, uma interlocução insuficiente com as lideranças e bancadas do Congresso.

O cenário é desconfiança política entre os representantes da base governista, com fragmentação a ausência de diálogo e atenção aos clamores reais dos cidadãos.

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Por outro lado, é inegável que a oposição e o próprio Congresso têm encontrado força e unidade em pautas que conseguem mobilizar a sociedade, principalmente por defender a autonomia do Legislativo e lutar por limites claros entre os poderes.

Esse momento também é um lembrete de que a autocontenção dos poderes é necessária, principalmente em respeito ao voto dado pelo povo naqueles que o representam no Congresso Nacional.

Eis uma conjuntura que diz muito sobre os rumos que nosso país terá nas eleições de 2026, com redefinição das relações entre Executivo e Legislativo no Brasil, e com a propositura de um Supremo Tribunal Federal que seja um local para acomodar os “amigos” do presidente.

A direita mais uma vez demonstra que busca articular consensos e respeita a vontade da sociedade que vive no Congresso Nacional.

Coronel Assis é deputado federal por Mato Grosso e vice-líder da oposição na Câmara

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Trabalho está deixando muita gente doente — e a lei mudou para valer com isso

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Desde o fim de maio de 2026, passou a valer uma mudança que pouca gente notou, mas que pode mexer com a rotina de empresas e trabalhadores em todo o país: as empresas agora podem ser fiscalizadas, e multadas, se não cuidarem também da saúde mental de quem trabalha.

A novidade está na NR-1, a norma que organiza as regras de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Até pouco tempo, “risco no trabalho” era associado a máquina sem proteção, produto químico, ruído, calor. Agora, a forma como o trabalho é organizado também entra nessa conta. É o que especialistas chamam de riscos psicossociais. Não é exagero dizer que essa é uma das mudanças mais relevantes na área de segurança do trabalho dos últimos anos, ainda que tenha passado quase em silêncio.

Na prática, cobrança de metas impossíveis, jornadas sem fim e sem pausa de verdade, pressão constante e clima pesado no ambiente de trabalho deixam de ser vistos como apenas “estresse do dia a dia” e passam a ser tratados como risco, algo que a empresa precisa identificar e tentar evitar, do mesmo jeito que já fazia com riscos físicos.

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Para as empresas, isso significa rever o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e incluir esses fatores de forma real, olhando para a própria rotina, o setor de atuação e o perfil das equipes. Cada empresa precisa entender onde, de fato, estão os pontos de pressão dentro da sua operação.

Como advogada trabalhista, tenho visto cada vez mais casos de pessoas que adoeceram por causa do trabalho — ansiedade, depressão, esgotamento, o tal burnout. Até pouco tempo, esses casos costumavam ser tratados como problema pessoal de quem não aguentou a pressão. Com essa mudança na NR-1, existe agora uma base mais clara para discutir, inclusive na Justiça, se a empresa fez ou não a sua parte para evitar esse adoecimento.

No fim das contas, a mudança tende a ser boa para os dois lados: empresas que se organizam evitam multas, processos e perda de bons profissionais; trabalhadores ganham mais respaldo para buscar seus direitos quando o ambiente de trabalho passa do limite do razoável. É um tema que, cedo ou tarde, vai aparecer na rotina de qualquer empresa — e quanto antes for tratado com seriedade, menores os riscos para todos os envolvidos.

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*Giselle Saggin – Advogada trabalhista (OAB/MT 14.129-A), com escritório em Cuiabá (MT) – Instagram: @gisellesaggin

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