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ESQUEMA

Grupo de Mauro Mendes e Fábio Garcia usou 18 fundos de investimentos para desviar R$ 308 milhões diz PF, veja quais

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POLÍTICA MT

A investigação realizada no âmbito da Operação Heritage, da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou a existência de uma complexa “engenharia financeira” destinada ao desvio de recursos públicos em Mato Grosso. Segundo a PF, o grupo liderado pelo governador Mauro Mendes (União) e pelo deputado federal Fábio Paulino Garcia (União), o Fabinho, teria instrumentalizado um acordo entre o Estado e a empresa Oi S.A. para escoar R$ 308.123.595,50 por meio de 18 fundos de investimento estruturados em “múltiplas camadas de opacidade”.

A investigação aponta que o montante, originado de um termo de autocomposição tributária com o advogado Ricardo Almeida, hoje desembargador, não seguiu o regime constitucional de precatórios e foi rapidamente pulverizado em duas estruturas principais, denominadas pela PF como “cascatas”.

“Segundo a Autoridade Policial, esse ato representaria o marco da estruturação de sucessivas camadas de fundos de investimento, mecanismo concebido para dificultar o rastreamento do dinheiro e dissimular a destinação final de parcela dos valores oriundos do acordo”, diz trecho da decisão do ministro Flávio Dino.

Para os investigadores, o esquema funcionou em dois núcleos, através de dois fundos de investimentos constituídos poucos meses antes do acordo. No núcleo Mauro Mendes (denominado “Cascata Royal Capital FIDC”) valores transitaram pelos fundos Royal CapitalZurich FIM e London FIP. Esta última estrutura foi utilizada para adquirir participações na empresa Parecis Bioenergia, pertencente à família do governador, permitindo que o dinheiro público chegasse ao patrimônio privado de seus filhos e esposa sob uma aparência de legalidade. O Royal Capital recebeu R$ 154 milhões do governo estadual.

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No Núcleo de Fábio Garcia e Mauro Carvalho Júnior (denominado “Cascata Lotte Word FIDC”), foi utilizado o fundo Lotte Word FIDC para receber cerca de R$ 154 milhões (50% do acordo). Os recursos foram convertidos em investimentos privados em empresas ligadas aos familiares dos investigados, como a Hotéis Global S.A., envolvendo o pai e a mãe do deputado Fábio Garcia.

Diante dos “robustos e consistentes indícios” de lavagem de dinheiro e peculato, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão imediata das atividades econômicas e o congelamento das contas bancárias de 18 fundos. O magistrado destacou que tais veículos não foram concebidos para investimento coletivo real, mas para “blindagem patrimonial” e para dificultar o rastreamento do dinheiro.

“Segundo a linha investigativa apresentada, a operacionalização do esquema teria ocorrido por meio da utilização sucessiva de fundos de investimento e de estruturas financeiras interpostas, organizadas em múltiplas camadas, com a finalidade de pulverizar os fluxos financeiros, fragmentar a cadeia de titularidade dos ativos, dificultar a identificação da origem e da destinação dos recursos e conferir aparente licitude às operações realizadas. Tais mecanismos teriam permitido que valores provenientes do acordo fossem gradualmente transferidos em diferentes veículos antes de alcançarem seus destinatários finais”, diz trecho da decisão de Dino.

Fundo de Investimento CNPJ
Royal Capital FIDC 54.020.246/0001-54
Zurich Fundo de Investimento Multimercado 56.002.195/0001-63
London Fundo de Investimento em Participações 56.263.685/0001-13
5M Capital Fundo de Investimentos 46.685.359/0001-40
GS Heritage Fundo de Investimento 46.628.666/0001-90
Lotte Word FIDC 54.019.802/0001-72
Golden Bird FIDC 32.155.992/0001-12
Silver Bird FIDC 59.717.706/0001-11
Geonix 95 Fundo de Investimento 44.417.212/0001-44
Geonix Fundo de Investimento Multimercado 55.196.942/0001-89
Coliseu Fundo de Investimento 54.904.072/0001-92
Rhodes Fundo de Investimento 56.006.480/0001-52
Venture Finance FIDC 54.950.304/0001-49
Evimeria Fundo de Investimento 46.628.700/0001-26
RAT Fundo de Investimento 56.834.392/0001-49
Green Lake Fundo de Investimento 46.685.397/0001-01
América P. E. V Fundo de Investimento 46.557.134/0001-09
América P. E. XII Fundo de Investimento 46.685.377/0001-22
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Bloqueio de R$ 308 milhões e quebra de sigilo

Além da suspensão dos fundos, a decisão judicial impôs o sequestro solidário de bens e valores de 61 alvos, incluindo as pessoas físicas dos investigados e seus familiares, até o limite de R$ 308,1 milhões. Também foi autorizado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 85 pessoas e empresas para reconstruir o fluxo financeiro completo da operação, desde a celebração do acordo com a Oi S.A. até o destino final nas contas dos beneficiários.

A Polícia Federal ressaltou que a celeridade incomum na aprovação do acordo pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE/MT) e a criação de fundos poucos dias antes da assinatura do termo reforçam a suspeita de uso de informações privilegiadas (insider trading).

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POLÍTICA MT

Aeronaves, imóveis e embarcações; veja lista de bens bloqueados na Operação Heritage

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A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Heritage, também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores de 84 pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida patrimonial alcança até R$ 316 milhões e tem como finalidade assegurar eventual ressarcimento ao erário caso as suspeitas apuradas pela Polícia Federal sejam confirmadas ao longo da investigação.

O bloqueio foi decretado de forma solidária, ou seja, o valor poderá ser exigido de qualquer um dos investigados até o limite estabelecido na decisão.

Além das buscas e apreensões realizadas nesta quinta-feira (6), a decisão detalha que a indisponibilidade patrimonial alcança contas bancárias, aplicações financeiras, cotas de fundos de investimento, participações societárias, imóveis, veículos, aeronaves e embarcações.

BENS ATINGIDOS

Segundo a decisão do STF, a constrição patrimonial abrange:

– saldos em contas bancárias e aplicações financeiras;

– cotas de fundos de investimento;

– ações e participações societárias;

– imóveis urbanos e rurais;

– veículos automotores;

– aeronaves;

– embarcações;

– direitos creditórios e outros ativos financeiros.

A ordem também determina o bloqueio de participações em empresas dos setores de energia, hotelaria, agronegócio e outros ramos econômicos citados na investigação.

QUEM TEVE BENS BLOQUEADOS

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Entre os investigados alcançados pela medida cautelar estão:

– o ex-governador Mauro Mendes Ferreira;

– o deputado federal Fábio Paulino Garcia;

– o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso Ricardo Gomes de Almeida;

– o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça Ulisses Rabaneda dos Santos;

– familiares dos principais investigados;

– operadores financeiros;

– empresas e fundos de investimento apontados na investigação.

Ao todo, a decisão relaciona 84 pessoas físicas e jurídicas.

FUNDO DE INVESTIMENTO COM CONTAS CONGELADAS

Além do bloqueio patrimonial, o ministro Flávio Dino determinou o congelamento das contas bancárias e a suspensão das atividades econômicas e financeiras de 18 fundos de investimento apontados na investigação.

Entre eles estão:

– Royal Capital FIDC;

– Lotte Word FIDC;

– Golden Bird FIDC;

– Zurich FIM CP;

– London FIP;

– Coliseu FIC FIDC;

– GS Heritage FIP;

– Venture Finance FIDC;

– Silver Bird FIDC;

– Rhodes FIDC;

– RAT FIDC;

– Evimeria FIM CP;

– Geonix 95 FIM;

– Geonix FIM CP;

– 5M Capital FIP.

Segundo a decisão, os fundos serão comunicados oficialmente para impedir novas movimentações financeiras enquanto perdurarem as medidas cautelares.

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RELEMBRE O CASO OI

A investigação da Operação Heritage tem origem em um acordo firmado em 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi para encerrar uma disputa tributária iniciada em 2009. Após decisões judiciais envolvendo a cobrança de ICMS, o Estado reconheceu o direito da empresa à restituição de valores e firmou um termo de autocomposição que resultou no pagamento de R$ 308 milhões.

Segundo a Polícia Federal, parte desses recursos teria sido desviada por meio de uma estrutura composta por fundos de investimento e pessoas jurídicas, utilizada para ocultar a origem e a destinação do dinheiro. A investigação apura, em tese, crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como bloqueio de bens, quebra de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados. Até o momento, não há condenações, e os fatos seguem sob investigação da Polícia Federal.

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